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Ferrovia estratégica para MS avança e nova concessão da Malha Oeste segue para análise do TCU

Foto: reprodução
Rogério Potinatti
24/5/2026
às
7:40

A relicitação da Malha Oeste deu mais um passo importante nesta quinta-feira (21). A Agência Nacional de Transportes Terrestres aprovou os estudos técnicos e jurídicos que estruturam a nova concessão da ferrovia, autorizando o envio do projeto ao Ministério dos Transportes.

Após essa etapa, a proposta ainda será analisada pelo Tribunal de Contas da União antes da publicação definitiva do edital de concessão.

Considerada estratégica para Mato Grosso do Sul, a Malha Oeste conecta Corumbá ao interior de São Paulo, formando um dos principais corredores ferroviários para transporte de minério, combustíveis e produtos ligados à cadeia da celulose.

O projeto prevê a recuperação operacional de aproximadamente 1.625 quilômetros de ferrovia e inclui diferentes modelos de exploração da malha, dependendo do interesse do mercado.

Pela proposta aprovada, o governo federal poderá investir cerca de R$ 3,6 bilhões na concessão, com aportes escalonados ao longo dos anos para garantir a modernização da estrutura ferroviária.

Os recursos públicos, no entanto, dependerão do trecho assumido pelo futuro concessionário. Caso a operação contemple percursos mais amplos, como Corumbá até Mairinque ou Bauru, em São Paulo, haverá possibilidade de apoio financeiro federal. Já em um cenário limitado ao trecho entre Corumbá e Três Lagoas, o projeto não prevê aporte da União.

Outra possibilidade incluída na modelagem é a futura incorporação do ramal ferroviário de Ponta Porã, desde que haja interesse do operador vencedor da concessão.

Durante a reunião da ANTT, o diretor relator do processo, Lucas Asfor Rocha Lima, afirmou que o modelo foi desenhado para aumentar a atratividade da ferrovia junto ao mercado privado.

Hoje, a operação da Malha Oeste está sob responsabilidade da Rumo, mas parte significativa da estrutura permanece subutilizada. Atualmente, os trechos considerados economicamente mais viáveis estão ligados ao transporte de minério em Corumbá e à movimentação da indústria de celulose na região de Três Lagoas.

Nos bastidores, a nova concessão é vista como fundamental para destravar a logística de Mato Grosso do Sul, especialmente diante do crescimento acelerado do setor florestal, industrial e de exportação no Estado.

O projeto também inclui metas operacionais, critérios de desempenho, diretrizes ambientais e mecanismos ligados à resiliência climática da malha ferroviária.

A expectativa do governo federal era realizar o leilão ainda neste ano, mas o cronograma sofreu atraso devido ao tempo necessário para conclusão dos estudos técnicos e ajustes na modelagem da concessão.

Para Mato Grosso do Sul, a retomada da Malha Oeste é considerada estratégica não apenas para reduzir custos logísticos, mas também para fortalecer o corredor de exportação da Costa Leste e ampliar a competitividade do Estado no cenário nacional.