A situação enfrentada pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) esteve no centro de uma audiência pública realizada nesta quarta-feira (27), na Assembleia Legislativa. O encontro reuniu docentes, estudantes, técnicos administrativos, aposentados e parlamentares para discutir os principais desafios da instituição, que vão desde perdas salariais e falta de investimentos até dificuldades estruturais que impactam o funcionamento das unidades espalhadas pelo Estado.
Durante o debate, representantes da Associação dos Docentes da UEMS (ADUEMS) relataram um cenário marcado pelo aumento da carga de trabalho, carência de servidores e limitações de infraestrutura. Segundo a vice-presidente da entidade, Erika Porceli Alaniz, a falta de equipamentos e de recursos para pesquisa tem obrigado professores a recorrerem a estruturas próprias para manter atividades acadêmicas e projetos em andamento.
A docente também destacou que a redução do quadro de apoio técnico tem levado professores a acumularem tarefas administrativas, diminuindo o tempo disponível para ensino, pesquisa e extensão. Na avaliação da entidade, a situação compromete a capacidade da universidade de cumprir seu papel na formação de profissionais e na produção de conhecimento voltado ao desenvolvimento regional.
Outro tema que mobilizou os participantes foi a valorização dos servidores. O presidente da ADUEMS, Marcelo Bertace, afirmou que a categoria acumula perdas salariais significativas ao longo da última década e voltou a defender medidas de recomposição remuneratória. A cobrança também foi acompanhada de críticas à contribuição previdenciária incidente sobre aposentados.
Os técnicos administrativos igualmente apresentaram reivindicações relacionadas à carreira e às condições de trabalho. Entre os pontos levantados está a necessidade de ampliar a autonomia financeira da universidade, considerada fundamental para fortalecer a gestão institucional e garantir investimentos permanentes em infraestrutura e pessoal.
A realidade vivida pelos estudantes também ganhou espaço na audiência. O acadêmico Lindenberg Vidotto, do curso de História, relatou que a unidade das Moreninhas funciona há quatro anos sem sede própria, utilizando instalações de uma escola estadual. Segundo ele, a falta de recursos tem levado estudantes e professores a promover arrecadações para custear atividades acadêmicas e ações de extensão.
Parlamentares presentes defenderam a ampliação dos investimentos na universidade e criticaram a crescente dependência de contratos temporários no ensino superior estadual. Também foram levantadas discussões sobre a política de incentivos fiscais do Estado e a destinação de recursos públicos, com argumentos de que investimentos mais robustos em educação, ciência e tecnologia poderiam contribuir para o fortalecimento da UEMS e para o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul.
Ao final do encontro, representantes de sindicatos, estudantes e deputados defenderam a continuidade do diálogo com o Governo do Estado para buscar soluções que garantam melhores condições de trabalho, valorização dos servidores e fortalecimento da universidade pública sul-mato-grossense.



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