A União Europeia não é um mercado “qualquer” para Mato Grosso do Sul. É exigente, paga bem, cobra rastreabilidade e virou vitrine global. E o Estado já está dentro: em 2025, MS exportou 3,76 milhões de toneladas para o bloco, com faturamento de US$ 1,3 bilhão. Agora, com a aprovação do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, o governo estadual aposta em um efeito direto no bolso: produto mais competitivo, tarifa menor, mais venda.
Quem coloca essa lógica na mesa é o secretário da Semadesc, Jaime Verruck. Para ele, o ponto central do acordo é simples de entender — e difícil de ignorar: reduzir tarifa é dar vantagem de preço e abrir espaço em prateleiras que hoje têm barreiras.
“A primeira expectativa do Governo do Estado é de que, a partir da aprovação desse acordo, nós consigamos ampliar [as exportações]. Na verdade, nós temos uma possibilidade de ampliação de produtos que serão mais competitivos. É importante entender que a redução de tarifa significa aumentar a competitividade dos produtos sul-mato-grossenses na União Europeia”, afirmou o secretário.
Se MS fosse uma vitrine, a celulose estaria em destaque com holofote. Em 2025, ela liderou as exportações sul-mato-grossenses para a União Europeia, com 1 milhão de toneladas — 26% de tudo o que o Estado vendeu ao bloco.
E Verruck indica que a celulose deve continuar como carro-chefe, especialmente a celulose solúvel, que a fábrica da Bracell deve produzir. Em outras palavras: o acordo pode chegar justamente quando o Estado tende a aumentar oferta e buscar novos compradores.
Logo atrás da celulose, o segundo produto mais exportado para o bloco foi farelo de soja, com 917 mil toneladas. A carne bovina aparece em terceiro, com 14 mil toneladas embarcadas.
A conversa com a Europa não é só sobre preço. É também sobre regra. E, nesse ponto, uma peça pode destravar portas: certificação.
Segundo Verruck, o Estado avançou em um acordo com a União Europeia para certificar propriedades agrícolas dentro dos padrões europeus de produção, alinhavado durante a COP30 em Belém (PA), em novembro do ano passado.
A ideia é ter um certificado oficial para propriedades que não tiveram desmatamento depois de 2020 — e, com isso, deixar esses produtores habilitados a exportar para o mercado europeu.
“Vamos ter um certificado oficial nessas propriedades que não tiveram desmatamento depois de 2020 e estarão habilitadas para exportar seus produtos ao mercado europeu”, disse.
Além disso, ele vê espaço para ampliar vendas de soja em grãos e farelo — produtos abundantes no Estado e relevantes para o abastecimento europeu — e também para o etanol produzido em MS, num momento em que países europeus buscam descarbonizar a economia.
Balança comercial: MS vende muito mais do que compra
O relacionamento comercial com o bloco é, hoje, amplamente favorável para MS. De acordo com a Semadesc, em 2025 o Estado exportou 3,76 milhões de toneladas e faturou US$ 1,3 bilhão. No mesmo período, importou 77 mil toneladas, somando US$ 492 milhões.
O saldo da balança comercial fechou em US$ 812 milhões — um superávit robusto.
No ano passado, MS manteve relações comerciais com 23 países da União Europeia: 20 como destinos de exportação e 23 como origens de importação.
Entre os destinos, Holanda (31,7%) e Itália (31,4%) foram as principais portas de entrada dos produtos sul-mato-grossenses no mercado europeu em 2025.
Já nas compras feitas pelo Estado, a Finlândia se destacou por fornecer 67% do que MS importou do bloco — puxada pela tecnologia e máquinas ligadas à indústria de celulose.
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