Estado soma mais de 3 mil casos e seis mortes; especialista alerta para risco de aumento nas próximas semanas
Mato Grosso do Sul enfrenta um avanço significativo da chikungunya, com cenário já classificado como epidêmico em pelo menos 11 municípios. A doença acumula 3.058 casos prováveis e seis mortes, em um contexto que preocupa especialistas pela possibilidade de agravamento nas próximas semanas.
A avaliação é baseada na taxa de incidência — número de casos por 100 mil habitantes — que ultrapassa o limite de 300 em diversas cidades. Entre os municípios com maior impacto estão Fátima do Sul, Jardim e Sete Quedas, que registram índices superiores a mil casos por 100 mil habitantes, evidenciando a intensidade da circulação do vírus.
Embora Dourados concentre o maior número absoluto de casos e óbitos, a situação mais crítica está na Reserva Indígena do município, onde a incidência supera 7,7 mil casos por 100 mil habitantes. Das seis mortes confirmadas no Estado, cinco ocorreram entre indígenas da região, incluindo dois bebês.
Outras cidades também apresentam níveis considerados epidêmicos, como Vicentina, Selvíria, Corumbá, Antônio João, Guia Lopes da Laguna, Bonito, Água Clara e Douradina, indicando uma disseminação relevante da doença em diferentes regiões.
No geral, a incidência estadual é de 110,9 casos por 100 mil habitantes — mais de dez vezes superior à média nacional, que é de 9,6.
O infectologista Júlio Croda, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), alerta que o cenário ainda pode piorar. Segundo ele, o período mais crítico da doença segue até o fim de abril e início de maio, o que deve manter a pressão sobre o sistema de saúde.
Nas últimas semanas, o aumento de casos já se refletiu em internações. Atualmente, mais de 200 pessoas estão hospitalizadas, e só em Dourados a taxa de ocupação de leitos chegou a 89%, tendo alcançado 97% dias antes.
Apesar de uma aparente redução recente no número de notificações, especialistas recomendam cautela na análise dos dados. Isso porque há um atraso de até duas semanas entre o registro e a confirmação dos casos, o que pode mascarar a real evolução da doença.
Para o infectologista, ainda não há indícios de que o surto se espalhe de forma generalizada por todo o Estado, mas há sinais de expansão na região cone-sul. Já em cidades como Campo Grande, estratégias como o uso do método Wolbachia ajudam a conter a proliferação do vírus.
Diante do cenário, a recomendação das autoridades de saúde é reforçar os cuidados para eliminar criadouros do mosquito Aedes aegypti e procurar atendimento médico ao surgirem sintomas, como febre alta e dores intensas nas articulações.


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