Com projetos que podem ultrapassar R$ 100 bilhões, América do Sul atrai gigantes e consolida protagonismo do Vale da Celulose
Com a entrada em operação do Projeto Cerrado, da Suzano, em Ribas do Rio Pardo, o setor de celulose vira a página de um ciclo histórico e já projeta a próxima ofensiva de investimentos — ainda maior e mais ambiciosa.
Nos próximos cinco anos, novos empreendimentos previstos para a América do Sul podem ultrapassar a marca de R$ 100 bilhões, reposicionando a região como um dos principais polos globais da indústria. E, nesse cenário, Mato Grosso do Sul aparece como protagonista.
A combinação entre clima favorável, alta produtividade florestal e custos operacionais mais baixos coloca o Estado — e especialmente o chamado Vale da Celulose — em vantagem frente a outras regiões do mundo.
Enquanto no Hemisfério Norte o ciclo de crescimento do eucalipto pode chegar a 15 anos, por aqui ele ocorre em cerca de sete, acelerando o retorno sobre os investimentos e aumentando a competitividade da produção.
Na prática, isso significa que a nova capacidade instalada na América do Sul tende a pressionar o mercado internacional, podendo inclusive retirar players menos eficientes da disputa global.
Novos projetos e o avanço sobre MS
Entre os projetos já em andamento ou em fase avançada de planejamento, o destaque vai para a presença de grandes grupos internacionais.
A chilena Arauco já iniciou as obras de sua megafábrica em Inocência (MS), enquanto a expectativa gira em torno da confirmação de novos investimentos no Estado, como uma unidade da Bracell em Bataguassu e a expansão da Eldorado Brasil em Três Lagoas, com a implantação de uma segunda linha de produção.
Fora do Estado, a CMPC avalia um projeto no Rio Grande do Sul, e há ainda iniciativas em países vizinhos, como o Paraguai, embora com maior grau de incerteza.
O maior investimento dessa nova leva é justamente o Projeto Sucuriú, da Arauco, que representa a estreia da companhia no Brasil no segmento de celulose. Com aporte de US$ 4,6 bilhões — cerca de R$ 24 bilhões —, a planta terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas por ano e, quando entrar em operação, deve assumir o posto de maior fábrica do mundo.

Espaço para crescer
Mesmo com a chegada desses megaprojetos, a avaliação do governo estadual é de que ainda há espaço para expansão. Mato Grosso do Sul já possui cerca de 1,5 milhão de hectares plantados com eucalipto, consolidando-se como a segunda maior base florestal do país.
A expectativa é de que a combinação entre disponibilidade de áreas, infraestrutura logística e ambiente favorável a investimentos continue atraindo novos empreendimentos, ampliando ainda mais a relevância do Estado no cenário internacional.
O movimento indica que, longe de atingir um limite, o setor de celulose vive um novo ciclo de crescimento — com Mato Grosso do Sul no centro das decisões estratégicas que devem moldar o futuro da indústria global.


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