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Com bilhões em investimentos, MS assume protagonismo na produção mundial de celulose

Foto: Rogério Potinatti
Rogério Potinatti
18/3/2026
às
8:00

Impulsionado por uma sequência de megainvestimentos industriais, Mato Grosso do Sul se consolida como um dos principais polos globais da indústria de celulose — movimento que rendeu ao Estado o apelido de “Vale da Celulose”. Nos últimos anos, aportes que já somam cerca de R$ 48,6 bilhões transformaram a região em um dos ambientes mais competitivos da América do Sul para o setor.

Esse avanço é puxado principalmente pela instalação e ampliação de grandes plantas industriais, como as operações da Suzano, Eldorado Brasil e da chilena Arauco, que vêm redesenhando o mapa econômico do Estado.

Um dos projetos mais recentes que reforçam essa transformação é o Projeto Sucuriú, da Arauco, em fase avançada de construção. Com investimento estimado em US$ 4,6 bilhões (cerca de R$ 24,2 bilhões), a unidade deve entrar em operação no segundo semestre de 2027.

Para garantir o escoamento da produção, a empresa iniciou a implantação de uma ferrovia de 45 quilômetros, conectando a fábrica à malha da Rumo Logística, que leva a carga até o Porto de Santos, em Santos (SP). O projeto logístico prevê investimento adicional de R$ 2,4 bilhões.

A estrutura contará com 26 locomotivas e 721 vagões, com capacidade de transportar até 9,6 mil toneladas por viagem. A fábrica terá produção anual estimada em 3,5 milhões de toneladas de celulose.

Outro marco recente foi a entrega do Projeto Cerrado, da Suzano, em Ribas do Rio Pardo. Inaugurada em 2024, a planta recebeu investimentos de R$ 22 bilhões e se tornou a maior fábrica de celulose de eucalipto em linha única do mundo, com capacidade para produzir 2,55 milhões de toneladas por ano.

A presença dessas unidades elevou o patamar de competitividade da região, colocando Mato Grosso do Sul em destaque no cenário internacional.

reprodução/Arauco

Nova fábrica pode ampliar investimentos

O ciclo de crescimento ainda está longe do fim. A Bracell já obteve licença prévia para construir uma nova unidade em Bataguassu, com investimento estimado em R$ 16 bilhões.

O projeto prevê duas linhas de produção: uma dedicada à celulose kraft (usada na fabricação de papel) e outra com flexibilidade para produzir também celulose solúvel, utilizada em segmentos como têxtil, cosméticos e alimentos.

A capacidade anual pode chegar a 2,9 milhões de toneladas, dependendo do modelo produtivo adotado. A previsão inicial é de início das operações em 2028, mas o cronograma depende da solução de gargalos estruturais — especialmente na área de energia elétrica.

Expansão da Eldorado entra no radar

Outro investimento relevante deve vir da Eldorado Brasil, que planeja a construção de uma segunda linha de produção em sua unidade, também em Três Lagoas.

Após resolver disputas societárias, a empresa retomou os planos de expansão, com investimento estimado em US$ 5 bilhões (cerca de R$ 26,5 bilhões). A nova linha deve ampliar a capacidade de produção para até 2,6 milhões de toneladas anuais.

Se confirmados os projetos da Bracell e da Eldorado, o volume total de investimentos no Estado pode ultrapassar R$ 90 bilhões em menos de uma década, consolidando o protagonismo sul-mato-grossense no setor.

Eldorado Brasil, em Três Lagoas | reprodução

Vale da Celulose

O avanço de Mato Grosso do Sul faz parte de um movimento mais amplo na América do Sul, que vem se destacando pela competitividade na produção de celulose. Fatores como disponibilidade de terras, clima favorável e crescimento acelerado do eucalipto — com ciclos de cerca de sete anos, contra até 15 anos no Hemisfério Norte — colocam a região em vantagem.

Além do Brasil, países como Paraguai e Chile também avançam com novos projetos industriais, impulsionados pela demanda global crescente, especialmente na Ásia.

Com a consolidação do chamado Vale da Celulose, Mato Grosso do Sul entra em um novo ciclo de desenvolvimento econômico, marcado pela industrialização em larga escala, geração de empregos e fortalecimento de cadeias produtivas.

A tendência é que o impacto vá além da indústria, estimulando setores como logística, serviços, inovação e turismo de negócios — reposicionando o Estado como um dos principais hubs industriais do país nos próximos anos.