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Ex-prefeito de Campo Grande mata fiscal tributário a tiros e testemunha diz que vítima não teve chance de defesa

Foto: reprodução
Da redação
26/3/2026
às
7:05

A Justiça decretou, na manhã desta quarta-feira (25), a prisão preventiva do ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, acusado de matar a tiros o fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos.

A decisão foi tomada durante audiência de custódia, que durou cerca de uma hora e analisou as circunstâncias do crime ocorrido na Rua Antônio Maria Coelho, no Jardim dos Estados.

Segundo relatos de quem acompanhou a audiência, Bernal demonstrou comportamento instável, alternando momentos de tensão com atitudes consideradas inadequadas durante a fala do magistrado. Mesmo assistido por advogado — e sendo ele próprio da área jurídica —, o ex-prefeito tentou discutir o mérito da prisão, sendo contido pelo juiz responsável.

A decisão pela manutenção da prisão levou em conta a gravidade do caso e os elementos iniciais da investigação. Mazzini foi atingido por dois disparos, um nas costas e outro no abdômen, e morreu ainda no local, apesar das tentativas de reanimação por equipes de socorro.

Em depoimento à polícia, Bernal afirmou que não teve intenção de matar. Segundo ele, a reação ocorreu após se sentir ameaçado ao encontrar pessoas dentro do imóvel onde residia, mesmo após o leilão da propriedade. “Foi tudo muito rápido, atirei porque me senti acuado”, declarou. Em outro momento, afirmou que tentou atingir a perna da vítima.

reprodução/Repórter Top

O advogado de defesa de Bernal, Oswaldo Meza, reforçou a versão de que ele agiu em legítima defesa e negou que os disparos tenham sido feitos pelas costas da vítima. “Ele atirou na linha da cintura, não atirou para matar. Um dos tiros entrou e saiu nas costas, por isso há três perfurações, mas foram dois disparos”, disse.

O ex-prefeito alegou que o imóvel já havia sido alvo de arrombamentos anteriores e que não teria sido formalmente notificado sobre o leilão e a transferência de posse. Ele disse ainda possuir porte legal da arma utilizada, adquirida em 2013.

No entanto, a versão apresentada por Bernal é contestada por testemunhas. Um dos depoimentos colhidos pela Polícia Civil aponta que não houve discussão ou confronto antes dos disparos. Segundo esse relato, o ex-prefeito teria chegado ao local e atirado de forma imediata, sem dar chance de reação à vítima.

De acordo com a investigação, Mazzini estava na residência acompanhado de outras pessoas para tratar da posse do imóvel, adquirido em leilão da Caixa Econômica Federal. A presença no local tinha caráter administrativo, com a entrega de uma notificação extrajudicial para desocupação voluntária, sem qualquer ação forçada.

A divergência entre as versões é um dos pontos centrais do inquérito. A Polícia Civil deve analisar imagens de câmeras de segurança da residência para esclarecer a dinâmica do crime e confrontar os depoimentos.

Com a prisão preventiva decretada, Bernal permanece detido enquanto o caso segue em investigação. A decisão da Justiça indica que, neste momento, há elementos suficientes para a manutenção da custódia, diante da gravidade dos fatos e da necessidade de aprofundamento das apurações.