O projeto de instalação de uma nova megafábrica de celulose em Mato Grosso do Sul deu mais um passo rumo à implantação. A empresa Bracell deve protocolar até o fim de março o pedido de Licença de Instalação (LI) junto ao Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), etapa necessária para o início das obras.
A informação foi confirmada pelo secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Jaime Verruck, que acompanha o andamento do processo de licenciamento do empreendimento.
Com investimento estimado em US$ 4,5 bilhões — cerca de R$ 23,5 bilhões, o projeto prevê a construção de uma unidade industrial em Bataguassu, município localizado a aproximadamente 330 quilômetros de Campo Grande. A planta terá capacidade para produzir 2,8 milhões de toneladas anuais de celulose kraft, além de um volume equivalente de celulose solúvel, matéria-prima utilizada em diversos segmentos industriais.
De acordo com o secretário, após o protocolo do pedido, o Imasul poderá concluir a análise da licença em cerca de 60 dias.
“A expectativa é que o pedido seja feito até o fim de março e que a licença seja concedida até meados de maio”, afirmou Verruck.
Atualmente, a empresa já possui licença prévia, etapa anterior do processo de licenciamento ambiental, autorizada pelo Conselho Estadual de Controle Ambiental (Ceca).
Com a emissão da Licença de Instalação, a empresa ficará legalmente apta a iniciar as obras. Embora o cronograma detalhado ainda não tenha sido apresentado, a expectativa do governo estadual é que as primeiras intervenções no terreno, como a terraplanagem, ocorram até o final deste ano.
Paralelamente ao licenciamento, o governo do Estado, o Imasul, a Prefeitura de Bataguassu e a própria empresa discutem a elaboração do Plano Básico Ambiental (PBA), que reúne ações destinadas a reduzir impactos do empreendimento e promover melhorias na infraestrutura local.
Entre as iniciativas em debate estão investimentos em educação, saúde e estrutura urbana, incluindo possíveis obras como escolas, unidades de saúde e centros de triagem.
Segundo o governo, essas medidas fazem parte do compromisso socioambiental que acompanha projetos industriais de grande porte.
Expansão da indústria de celulose
Se confirmada, a unidade da Bracell será a sexta fábrica de celulose instalada em Mato Grosso do Sul, consolidando o Estado como um dos principais polos do setor no país.
Atualmente, quatro unidades estão em operação: três da Suzano — duas em Três Lagoas e uma em Ribas do Rio Pardo — e uma da Eldorado Brasil, também em Três Lagoas.
Outra grande fábrica está em construção pela multinacional chilena Arauco, no município de Inocência, com capacidade prevista de 3,5 milhões de toneladas anuais, o que deve torná-la uma das maiores do mundo.
A Bracell já mantém áreas de plantio de eucalipto em Mato Grosso do Sul e deve operar com uma base florestal próxima de 400 mil hectares. As plantações estão distribuídas em municípios do chamado Vale da Celulose, região que inclui cidades como Água Clara, Santa Rita do Pardo, Ribas do Rio Pardo e o próprio Bataguassu.
Além da celulose kraft, utilizada principalmente na fabricação de papel, embalagens e produtos de higiene, a empresa também pretende produzir celulose solúvel, matéria-prima aplicada na indústria têxtil — especialmente na produção de viscose — e em segmentos como o farmacêutico.
O avanço do projeto reforça a tendência de consolidação de Mato Grosso do Sul como um dos principais centros globais da indústria de celulose.






