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Fraudes no Detran-MS envolveriam servidores e revelam esquema que teria operado por anos

Foto: reprodução
Da redação
5/5/2026
às
7:20

Um amplo esquema de irregularidades dentro do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS) está sob investigação e pode envolver dezenas de servidores públicos. Levantamento interno identificou milhares de fraudes cometidas ao longo de vários anos, indicando falhas sistêmicas e possível atuação organizada dentro do órgão.

De acordo com apurações, mais de 4 mil procedimentos suspeitos foram registrados entre 2020 e 2024, incluindo operações como transferência de veículos, alterações cadastrais e vistorias realizadas sem que os automóveis sequer estivessem no Estado. A investigação aponta que, em muitos casos, havia participação conjunta entre servidores e despachantes, embora também existam indícios de ações realizadas diretamente por funcionários públicos.

O esquema teria se espalhado por diferentes municípios e veio à tona a partir de uma fraude detectada em 2019, relacionada à inclusão irregular de eixo em um veículo. A partir daí, uma força-tarefa foi montada para mapear a extensão das irregularidades.

As evidências reunidas indicam a existência de uma rede estruturada, com divisão de funções e atuação contínua dentro do sistema. Casos com indícios criminais foram encaminhados para investigação da Polícia Civil, enquanto procedimentos administrativos seguem em andamento na corregedoria do órgão.

O histórico de denúncias não é recente. Reportagens anteriores e operações policiais já haviam apontado práticas semelhantes dentro do Detran-MS, com ações como as operações Miríade, Resfriamento, Gravame e Quarto Eixo, que investigaram corrupção e manipulação de dados no sistema.

Entre os nomes ligados às investigações, aparece o de um despachante preso no ano passado, apontado como operador de fraudes e réu em diversos processos. Também foi identificada a participação de uma ex-servidora comissionada, que teria atuado como elo entre os envolvidos para viabilizar alterações irregulares no sistema.

As investigações também levantam dúvidas sobre a atuação interna do próprio órgão. Relatórios indicam que procedimentos administrativos se concentravam em funcionários de nível operacional, enquanto possíveis responsabilidades em níveis mais altos não eram aprofundadas, o que pode ter dificultado o avanço das apurações.

Há ainda indícios de que irregularidades eram tratadas como infrações administrativas simples, como erros de cadastro ou extravio de documentos, o que teria contribuído para a continuidade do esquema ao longo do tempo.

O caso segue em investigação, com a expectativa de identificar todos os envolvidos e esclarecer o alcance das fraudes dentro do sistema de trânsito do Estado.