A aposta que colocou Ponta Porã no mapa dos grandes prêmios da Mega da Virada teve um valor bem definido — e dividido. O bilhete premiado com R$ 181.892.881,00 foi registrado por meio de um bolão de dez participantes, ao custo total de R$ 1.260. Isso significa que cada integrante desembolsou R$ 126 para participar da aposta vencedora.
Segundo o gerente da Lotérica Boa Sorte, Osni Leithold, o bolão vencedor seguiu uma modalidade em que são escolhidos dez números, aumentando as chances em relação à aposta simples, que marca apenas seis dezenas e custa R$ 6. “É um grupo que faz a aposta conjunta. O valor é dividido entre as cotas, e cada participante paga R$ 126”, explicou.
A lotérica retomou o atendimento normal na sexta-feira (2), primeiro dia útil de 2026, abrindo as portas às 8h, no Centro de Ponta Porã. Nas primeiras horas de funcionamento, nenhum dos ganhadores havia aparecido. A Caixa Econômica Federal permite que o prêmio seja resgatado em qualquer agência ou casa lotérica credenciada, o que amplia as possibilidades de saque fora da cidade.
Como o bolão foi dividido em dez cotas, cada ganhador tem direito a R$ 18.189.288,10. Para a Lotérica Boa Sorte, o prêmio representa um marco histórico. Em 35 anos de atividade, nunca havia sido registrado um valor milionário. Até então, o maior prêmio pago no local foi de R$ 132 mil.
A localização de Ponta Porã, na fronteira seca com Pedro Juan Caballero, no Paraguai, também alimenta a curiosidade sobre o destino do dinheiro. Existe a possibilidade de que algum dos vencedores resida do lado paraguaio da fronteira. “A gente trabalha vendendo sonhos. Mas só saberemos quem ganhou se a pessoa aparecer. Se optar pelo anonimato, não teremos essa resposta”, afirmou o gerente.
A Mega da Virada de 2025 distribuiu ao todo R$ 1,09 bilhão, o maior montante já pago na história das Loterias Caixa. Seis apostas acertaram as seis dezenas: além de Ponta Porã, houve bilhetes premiados em João Pessoa (PB), Franco da Rocha (SP) e três apostas feitas pelo canal eletrônico.
Os vencedores têm até 90 dias após a data do sorteio para retirar o prêmio. Caso contrário, os valores não resgatados são destinados ao Tesouro Nacional e aplicados no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
Enquanto isso, a cidade vive um clima de especulação. Surgem versões sobre quem seriam os novos milionários — desde grupos de moradores antigos até apostas feitas por pessoas do outro lado da fronteira. “Os comentários são muitos, mas a verdade é que ninguém sabe quem ganhou”, resume Alexandre Espíndola, de 34 anos, que trabalha em uma farmácia próxima à lotérica.






