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ICMS mais alto encarece combustíveis e pressiona preços logo no início de 2026

Foto: reprodução
Da redação
6/1/2026
às
7:10

O ano de 2026 começa com impacto direto no bolso do consumidor brasileiro. A elevação das alíquotas do ICMS sobre os combustíveis já entra em vigor neste início de ano e provoca reajustes imediatos nos preços praticados nos postos, especialmente da gasolina, do diesel e do gás de cozinha.

Somente com a mudança no imposto, o litro da gasolina terá acréscimo médio de R$ 0,10, com a alíquota passando de R$ 1,47 para R$ 1,57. O movimento marca uma virada em relação a 2025, quando os preços do setor permaneceram praticamente estáveis. A exceção foi o etanol, que encerrou o ano passado como o combustível com maior alta acumulada.

No caso do diesel e do biodiesel, o ICMS subiu de R$ 1,12 para R$ 1,17 por litro, um reajuste de R$ 0,05, equivalente a aumento de 4,4%. Já o gás liquefeito de petróleo (GLP), utilizado no botijão de cozinha, teve a alíquota elevada de R$ 1,39 para R$ 1,47 por quilo, o que representa alta de 5,7% e impacto aproximado de R$ 1,05 no botijão de 13 quilos, segundo a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes.

Dados da Petrobras indicam que o ICMS responde por parcela significativa da formação dos preços finais: cerca de 23,7% do valor da gasolina, 18,4% do diesel e 16,4% do GLP.

Levantamento da ValeCard, empresa especializada em meios de pagamento e soluções de mobilidade, mostra que o etanol foi o principal responsável pela inflação dos combustíveis em 2025. O biocombustível acumulou alta de 4,92% no ano, alcançando preço médio de R$ 4,56 por litro.

No mesmo período, a gasolina teve variação bem mais moderada, com aumento de apenas 0,52%, fechando o ano a R$ 6,37. Já o diesel S-10 apresentou leve queda de 0,88%, com preço médio de R$ 6,30, segundo o mesmo levantamento.

Em dezembro, o etanol voltou a se destacar. O preço médio do biocombustível subiu em 22 Estados, de acordo com dados da ValeCard, com base em transações realizadas entre os dias 1º e 28 do mês em mais de 25 mil postos em todo o país.

Para o diretor de Mobilidade e Operações da ValeCard, Marcelo Braga, o fechamento de 2025 foi marcado por relativa estabilidade no mercado de combustíveis. “Os dados de dezembro mostram um cenário mais estável, com reajustes pontuais e variações contidas na maior parte do país. O etanol concentrou a maior pressão de alta, enquanto gasolina e diesel apresentaram movimentos mais moderados”, avaliou.

Segundo Braga, o avanço mais forte do etanol está ligado a fatores sazonais do setor sucroenergético. “Com o fim da safra de cana-de-açúcar e a entrada no período de entressafra, a oferta diminui justamente em um momento de maior demanda, impulsionada pelas férias e pelo aumento das viagens de fim de ano”, explicou.

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que o preço médio da gasolina passou de R$ 6,14, em dezembro de 2024, para R$ 6,22 na semana de 21 a 27 de dezembro de 2025, uma alta de 1,3%. A Fecombustíveis destaca que esse avanço não refletiu integralmente as duas reduções promovidas pela Petrobras ao longo do ano, em junho e outubro.

No acumulado de 2025, a estatal reduziu o preço da gasolina em R$ 0,31 por litro, o equivalente a 10,3%. Desde dezembro de 2022, a queda acumulada chega a R$ 0,36 por litro para as distribuidoras. Já o diesel apresentou leve recuo no período, passando de R$ 6,11 para R$ 6,08, uma redução de 0,5%, conforme dados da ANP.

Com a nova configuração tributária, o mercado inicia 2026 sob expectativa de maior pressão nos preços, especialmente nos primeiros meses do ano, quando o efeito do ICMS tende a ser mais sentido pelo consumidor.