Com pouco mais de 3,5 mil moradores, Jateí, no interior de Mato Grosso do Sul, alcançou um feito expressivo: foi apontada como a melhor cidade do Brasil para se viver, de acordo com levantamento divulgado pela Gazeta do Povo. O município aparece no topo de um ranking que avaliou todos os 5.570 municípios brasileiros a partir de uma ampla combinação de indicadores sociais, econômicos e estruturais.
Jateí é atualmente o segundo menor município em população no Estado, atrás apenas de Figueirão. Ainda assim, superou cidades maiores e mais conhecidas ao apresentar desempenho acima da média em critérios como segurança pública, qualidade da educação, organização urbana, situação fiscal, economia e preservação ambiental.
A pesquisa utilizou 27 indicadores diferentes, seis a mais que na edição anterior, o que ampliou a complexidade da análise em 2025. Entre os dados considerados estão violência, renda, infraestrutura, arborização, acesso a serviços e aspectos culturais. O resultado reforçou uma tendência observada no levantamento: as cidades mais bem avaliadas estão no interior do país e têm população reduzida.
Segundo o jornal, o baixo número de habitantes contribui para índices menores de violência e maior eficiência na gestão pública. Nenhuma das dez cidades mais bem colocadas registrou homicídios ou suicídios nos bancos de dados analisados. Apenas uma delas possui registro de moradores em situação de rua. Em comum, todas apresentam bons indicadores em educação, infraestrutura urbana e equilíbrio fiscal, embora ofereçam opções mais limitadas de lazer — nenhuma conta com salas de cinema, por exemplo.
No ranking geral, Jateí alcançou nota 8,72, seguida por Montauri (RS), Paraí (RS) e outras cidades do Rio Grande do Sul e São Paulo, confirmando o protagonismo de pequenos municípios na avaliação de qualidade de vida.
Localizada a cerca de 250 quilômetros de Campo Grande, Jateí foi descrita pela publicação como uma cidade de “sinais visíveis de boa gestão”, refletidos em ruas arborizadas, calçadas conservadas e organização urbana. Entre 2019 e 2023, período analisado para o estudo, o município não registrou homicídios. Em 2024, também não houve casos de suicídio, mortes no trânsito, internações por uso de drogas ou registros de moradores em situação de rua. O levantamento não identificou áreas com características de favela.
Os indicadores econômicos também chamam atenção. Enquanto a média salarial nacional é de R$ 2.635, em Jateí o valor chega a R$ 3.679. O PIB per capita local, de R$ 119.162,85, supera com folga a média brasileira, estimada em R$ 33.871.
Na infraestrutura, os números reforçam o desempenho positivo: quase 100% das residências contam com coleta de lixo domiciliar, mais de 97% das vias são pavimentadas e praticamente todas possuem iluminação pública. A economia do município é fortemente ligada à suinocultura, setor que sustenta um dos maiores PIBs per capita e salários médios do Estado, segundo dados do IBGE.
Discreta no mapa, Jateí se consolida, pelos números, como um exemplo nacional de qualidade de vida.






