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Leilão da Malha Oeste previsto para novembro promete recolocar MS nos trilhos do desenvolvimento

Foto: reprodução
Rogério Potinatti
9/2/2026
às
7:35

A ferrovia Malha Oeste está prestes a ganhar um novo capítulo. O Governo Federal confirmou que o leilão para conceder e revitalizar a linha será realizado em novembro deste ano, abrindo caminho para um dos maiores projetos logísticos da história recente de Mato Grosso do Sul.

O anúncio foi feito durante o lançamento da pedra fundamental do ramal ferroviário que ligará o Projeto Sucuriú, da Arauco, à malha nacional, na última sexta-feira (6).

A iniciativa marca o início de uma nova fase para o transporte de cargas no Estado, com foco em eficiência, segurança e redução da dependência do transporte rodoviário.

Segundo a ministra do Planejamento, Simone Tebet, o governo trabalha para cumprir rigorosamente o cronograma. “A meta é clara: em novembro estaremos na B3, em São Paulo, celebrando a retomada de uma ferrovia que vai conectar Três Lagoas, Campo Grande e o restante do Estado ao coração logístico do país”, afirmou.

Já o ministro dos Transportes, Renan Filho, destacou que a revitalização da Malha Oeste representa uma mudança estrutural na logística sul-mato-grossense.

Para ele, a ferrovia é essencial para ampliar exportações e reduzir conflitos nas estradas. “Menos caminhões, mais segurança e mais competitividade. A ferrovia não é um problema — ela é a solução”, disse.

Investimento bilionário e nova modelagem

O projeto prevê até R$ 3 bilhões em aporte público, além de investimentos privados ao longo da concessão. Vencerá o leilão a empresa que exigir o menor valor de recursos da União, garantindo a reconstrução da ferrovia e sua integração com a Malha Paulista — principal corredor de cargas do país.

O governador Eduardo Riedel explicou que o leilão envolverá toda a extensão da Malha Oeste em MS, dentro de um modelo moderno e escalonado. “O trecho entre Três Lagoas e Campo Grande será prioridade. Depois, entram as conexões com Corumbá e Ponta Porã. O objetivo é reintegrar completamente o Estado à malha ferroviária nacional”, afirmou.

Hoje, apenas cerca de 5 km entre Corumbá e a fronteira com a Bolívia seguem operando. O restante da ferrovia está inativo ou em condições precárias.

reprodução/ANTT

Logística mais forte e Estado mais competitivo

Com a ferrovia revitalizada, Mato Grosso do Sul ganha uma nova porta para escoar celulose, minério, grãos e outros produtos. A integração com a rota Bioceânica e com o sistema ferroviário paulista amplia o alcance das exportações e torna o Estado mais atraente para novos empreendimentos.

Renan Filho destacou que MS vive um ciclo histórico de investimentos públicos e privados. “O Estado se aproxima de São Paulo em termos logísticos. Quanto mais longe do porto, maior a necessidade de infraestrutura. E agora MS passa a ter isso”, disse.

Um resgate histórico e emocional

A retomada da Malha Oeste também despertou um sentimento coletivo de nostalgia. A ferrovia foi responsável por impulsionar a ocupação e o crescimento do Estado ao longo do século passado.

Riedel lembrou que os trilhos fazem parte da identidade sul-mato-grossense:. Esse Estado foi construído sobre a ferrovia. Ela não é só infraestrutura — é memória, é pertencimento, é desenvolvimento.”, finalizou.