A malha rodoviária do Leste de Mato Grosso do Sul está prestes a entrar em uma nova fase. A partir do fim de novembro de 2026, começa a operar o sistema de pedágio eletrônico nas rodovias concedidas da chamada Rota da Celulose, incluindo a estratégica BR-262, eixo que conecta Três Lagoas a Campo Grande. A confirmação foi feita pelo governador Eduardo Riedel, ao atualizar o cronograma da concessão, cujo contrato deve ser assinado na segunda quinzena de janeiro.
O modelo adotado elimina praças físicas e cancelas. A cobrança será feita pelo sistema Free Flow, no qual pórticos instalados ao longo das rodovias identificam os veículos por meio de TAG eletrônica ou leitura automática de placas. O pagamento será proporcional ao trecho efetivamente percorrido, sem necessidade de redução de velocidade.
Na BR-262, principal corredor logístico da concessão, motoristas de veículos de passeio cruzarão quatro pontos de cobrança ao longo do trajeto entre Três Lagoas e Campo Grande. O custo total para quem percorre todo o trecho saindo de Três Lagoas até a capital, será de R$ 57,60, valor que já considera o desconto de 8% ofertado pelo consórcio vencedor do leilão realizado em maio de 2025.
Os pórticos da BR-262 estarão posicionados nos seguintes trechos: no km 39, entre Três Lagoas e Água Clara, com tarifa de R$ 12,60; no km 104, no mesmo segmento, ao custo de R$ 14,75; no km 207, entre Água Clara e Ribas do Rio Pardo, com cobrança de R$ 16,55; e no km 292, entre Ribas do Rio Pardo e Campo Grande, com tarifa de R$ 13,70.
Além da BR-262, outras rodovias estratégicas passam a integrar o sistema de pedágio eletrônico. A MS-040, que liga Campo Grande a Santa Rita do Pardo, contará com três pórticos, totalizando R$ 41,20. Na MS-338, entre Santa Rita do Pardo e Bataguassu, haverá um ponto de cobrança, no valor de R$ 10,40. Já a BR-267, no trecho entre Bataguassu, Casa Verde e Nova Alvorada do Sul, terá quatro pórticos, somando R$ 43,70 para automóveis.
Ao todo, a concessão prevê a instalação de 14 pórticos distribuídos ao longo de 870,3 quilômetros de rodovias. As tarifas divulgadas referem-se a veículos de passeio; caminhões e demais categorias pagarão valores maiores, de acordo com o número de eixos.
Com validade de 30 anos, o contrato da Rota da Celulose envolve investimentos estimados em R$ 10,1 bilhões. O pacote inclui obras de recuperação, manutenção, ampliação da capacidade viária e melhorias operacionais. Entre as intervenções previstas estão a duplicação de 115 quilômetros de rodovias — sendo mais de 101 quilômetros na BR-262, entre Campo Grande e Ribas do Rio Pardo, e 13,5 quilômetros na BR-267, em Bataguassu.
Também estão programadas a implantação de terceiras faixas e acostamentos no trecho ainda de pista simples da BR-262, entre Ribas do Rio Pardo e Três Lagoas, além da construção do contorno rodoviário de Ribas do Rio Pardo, com pouco mais de 12 quilômetros de via duplicada para retirar o tráfego pesado da área urbana.
Após a formalização do contrato, a concessionária responsável — o Consórcio Caminhos da Celulose, liderado pela XP — terá um prazo de 12 meses para executar um conjunto de obras e serviços iniciais obrigatórios. A cobrança do pedágio, no entanto, não será automática ao fim desse período.
Segundo o governo estadual, a liberação do sistema dependerá de vistoria técnica e autorização da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos (AGEMS), que avaliará o cumprimento integral das metas previstas. Somente após esse aval é que os pórticos começarão a operar, com expectativa atual de início no fim de novembro de 2026.
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