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PF prende ex-secretário de Saúde de Selvíria por suspeita de chefiar esquema de fraudes no SUS

Foto: reprodução
Da redação
24/2/2026
às
7:25

A Polícia Federal cumpriu, na manhã desta segunda-feira (23), mandado de prisão preventiva contra o ex-secretário municipal de Saúde de Selvíria, Edgar Barbosa dos Santos. A ordem judicial foi expedida pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região e integra nova etapa da Operação Rastro Cirúrgico, deflagrada em agosto do ano passado para investigar desvios de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS).

A investigação apura a existência de um esquema estruturado para fraudar licitações e contratos públicos na área da saúde municipal. Segundo a PF, o grupo teria atuado por meio de superfaturamento — tanto por sobrepreço quanto por aumento indevido de quantidades contratadas — causando prejuízos aos cofres públicos.

Na fase inicial da operação, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão, além de medidas de bloqueio e sequestro de bens que alcançaram até R$ 5 milhões por investigado, entre pessoas físicas e jurídicas. Também houve afastamento de servidores públicos suspeitos de participação no esquema, incluindo o então secretário de Saúde.

Com a análise de dados sigilosos coletados ao longo da apuração, a Polícia Federal afirma ter reunido elementos que apontam para a prática de peculato, fraude em licitações, corrupção ativa e passiva, além de frustração do caráter competitivo de processos licitatórios.

De acordo com os investigadores, médicos contratados teriam pago propina a agentes públicos em troca de favorecimento em contratos administrativos. Para simular concorrência, o grupo apresentaria propostas fictícias, criando a aparência de disputa regular.

As apurações também indicam indícios de lavagem de dinheiro, com uso de terceiros para ocultação de patrimônio, e evasão de divisas por meio de operações de câmbio ilegal para envio de valores ao exterior.

Diante da gravidade dos fatos e da suposta continuidade das atividades ilícitas, a Polícia Federal solicitou a prisão preventiva de três dos dez indiciados. A Justiça acolheu parcialmente o pedido e determinou a prisão do ex-secretário, apontado como figura central na estrutura investigada.

Segundo a PF, há indícios de vínculo associativo estável entre os envolvidos, caracterizando, além dos demais delitos, o crime de organização criminosa.

Concluído o inquérito, os investigados poderão responder por peculato, fraude em licitação, corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e organização criminosa.