O prédio que abrigou a antiga Escola do Sesi em Três Lagoas poderá, finalmente, ganhar um novo destino. Desativado desde 2016, o imóvel localizado em uma das principais avenidas da cidade deverá ser doado em definitivo à Prefeitura, segundo anunciaram na última sexta-feira (6) o prefeito Cassiano Maia e o presidente da Câmara Municipal, Antônio Empke Júnior, o Tonhão.
A informação foi divulgada nas redes sociais dos dois líderes políticos, que destacaram que o avanço nas negociações é resultado da harmonia entre os poderes Executivo e Legislativo, além da articulação política do deputado estadual Paulo Corrêa junto ao presidente da Fiems, Sérgio Longen, entidade proprietária do prédio.
Com mais de 10 mil metros quadrados de área construída, o complexo conta com piscinas, quadras esportivas, salões e outras estruturas que, hoje, estão subutilizadas e em condições precárias. Embora ainda não haja definição oficial sobre a nova finalidade do espaço, a expectativa é de que o local seja transformado em um centro voltado à educação, ao esporte e ao lazer da população.

A história do imóvel é marcada por controvérsias. A área foi doada pelo município em 1968 para a construção da Escola do Sesi, que funcionou no local por quase 50 anos. No entanto, após a transferência da unidade para um novo prédio em 2016, o antigo espaço foi abandonado.
Em 2018, a Fiems tentou vender o imóvel, avaliado à época em cerca de R$ 6,1 milhões. A iniciativa gerou forte reação, já que o terreno havia sido obtido por meio de desapropriação com recursos públicos. O caso foi parar na Justiça e passou a integrar um conjunto de apurações da Controladoria-Geral da União sobre o uso de bens do Sistema S.
Uma ação popular questiona a permanência do imóvel sob controle do Sesi-MS e pede que ele seja reintegrado ao patrimônio municipal. O argumento central é que a lei que autorizou a doação do terreno previa a reversão automática ao município caso a função social fosse perdida — o que, segundo os autores da ação, ocorreu com o abandono do prédio.
O então vereador Dr. Paulo Veron chegou a formalizar pedido nesse sentido, sustentando que o Sesi tinha apenas o direito de uso do imóvel, e não a propriedade definitiva. A tese se apoia também em entendimentos dos tribunais de contas, que vedam a doação de bens adquiridos com dinheiro público a entidades privadas.
Apesar disso, uma decisão liminar proferida em junho negou, por ora, a reintegração imediata do imóvel ao município. A magistrada entendeu que, como a venda não foi concretizada, não havia elementos suficientes para determinar a reversão naquele momento.
O Sesi, por sua vez, informou que estuda um projeto para o local, incluindo a criação de uma creche e de um centro de capacitação para trabalhadores da indústria. A proposta, no entanto, ainda está em fase preliminar.
Enquanto isso, o prédio segue fechado, sem uso e aguardando uma definição. A possível doação à Prefeitura reacende a expectativa de que o espaço volte a cumprir uma função social relevante para Três Lagoas, depois de quase dez anos de incertezas.
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