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Projeto ferroviário da Arauco prevê até 94% menos emissões para o transporte da celulose

Foto: reprodução
Rogério Potinatti
14/4/2026
às
7:50

A multinacional chilena Arauco decidiu avançar na estrutura logística do seu megaprojeto em Mato Grosso do Sul com a construção de uma ferrovia própria para transporte de celulose. A chamada shortline será responsável por ligar a futura fábrica instalada em Inocência à malha ferroviária nacional, garantindo eficiência no escoamento da produção.

O investimento na nova estrutura logística chega a R$ 2,4 bilhões e inclui a aquisição de uma frota robusta, com dezenas de locomotivas e centenas de vagões, capazes de transportar grandes volumes por viagem. A previsão é que a ferrovia entre em operação junto com a planta industrial do Projeto Sucuriú, programada para iniciar atividades no fim de 2027.

Com cerca de 45 quilômetros de extensão, a linha fará a conexão direta com a Malha Norte, operada pela Rumo, de onde a produção seguirá até o porto de Santos, principal corredor de exportação da celulose brasileira.

A ferrovia será implantada dentro do modelo autorizativo, que permite a empresas privadas construir e operar suas próprias linhas com recursos próprios. Esse formato, mais recente no país, busca acelerar investimentos e reduzir entraves burocráticos no setor ferroviário.

A estratégia da Arauco é alinhar a capacidade logística ao volume de produção da nova fábrica, projetada para ser uma das maiores do mundo no segmento. A estrutura também poderá ser utilizada para transporte de insumos necessários à operação industrial, como madeira, combustíveis e produtos químicos.

Lançamento da ferrovia da Arauco em fevereiro deste ano | reprodução

Menos caminhões, mais sustentabilidade

A nova ferrovia deve aumentar a eficiência logística e, ao mesmo tempo, reduzir significativamente os impactos ambientais e o fluxo de caminhões nas rodovias. A estimativa é que o transporte por trem substitua centenas de viagens diárias, diminuindo a emissão de gases de efeito estufa. Segundo a companhia, a mudança pode cortar em até 94% as emissões geradas no transporte da celulose.

O Projeto Sucuriú, que concentra investimentos de US$ 4,6 bilhões, terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano. A integração com a ferrovia é considerada peça-chave para garantir competitividade no mercado internacional.

A conexão entre indústria e ferrovia reforça o papel de Mato Grosso do Sul como um dos principais polos da cadeia global da celulose. A integração com a Malha Norte amplia o alcance logístico do Estado e fortalece sua posição estratégica na exportação de commodities.

Com a combinação de escala industrial e infraestrutura dedicada, o projeto consolida uma nova fase de investimentos no chamado Vale da Celulose, com impacto direto na economia regional e na competitividade brasileira no mercado internacional.