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Projeto Sucuriú da Arauco entra em nova fase e impulsiona mais empregos em Inocência

Foto: Rogério Potinatti
Rogério Potinatti
3/5/2026
às
7:45

O maior investimento industrial em andamento em Mato Grosso do Sul mudou de patamar. Em Inocência, o Projeto Sucuriú, da Arauco, entrou em uma etapa decisiva: menos concreto e mais precisão.

Com cerca de 70% das obras civis já concluídas pela Valmet, o empreendimento agora avança para a fase eletromecânica — momento em que a estrutura começa, de fato, a ganhar “vida”. É quando entram em cena equipamentos, sistemas e conexões que vão transformar a planta em operação real.

Essa virada técnica vem acompanhada de uma mudança igualmente expressiva no canteiro. A demanda por mão de obra cresce rapidamente: apenas nas frentes de montagem industrial, o número de trabalhadores deve saltar de 4 mil para 8 mil. No total, a obra já reúne mais de 11 mil pessoas e pode alcançar até 14 mil ao longo de 2026. Mas o que chama atenção não é só o volume de gente — é a complexidade.

foto: Rogério Potinatti

O projeto nasce com ambição global. A fábrica será a maior unidade de celulose do mundo construída em etapa única, com capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas por ano. O investimento ultrapassa US$ 4,6 bilhões (cerca de R$ 23 bilhões), com previsão de início das operações no segundo semestre de 2027.

Dentro do canteiro, os números ajudam a dimensionar o tamanho do desafio. Equipamentos gigantes começam a ser instalados, como o balão de vapor, que veio da China com 300 toneladas e mais de 30 metros de comprimento. A caldeira de recuperação, peça central da operação, reúne mais de 3 mil toneladas de aço e será responsável por gerar energia a partir de biomassa.

As estruturas também impressionam pela altura: os digestores devem ultrapassar 60 metros, o equivalente a um prédio de cerca de 20 andares. Já o galpão de secagem ocupa uma área de aproximadamente 30 mil metros quadrados, concentrando uma parte crucial do processo produtivo.

Logística de precisão

A operação dentro e fora da planta exige uma engrenagem logística robusta. O transporte de equipamentos envolve centenas de carretas, enquanto, internamente, guindastes e pontes rolantes movimentam peças de dezenas de toneladas com precisão milimétrica.

Na área de processamento de madeira, a capacidade prevista é de até 3 mil metros cúbicos de cavacos por hora. Tudo será controlado por um sistema digital altamente sofisticado, capaz de monitorar cerca de 60 mil sinais simultaneamente — um nível de automação que coloca o projeto entre os mais avançados do setor.

Quando entrar em operação, a unidade deve gerar cerca de 6 mil empregos diretos, distribuídos entre atividades industriais, florestais e logísticas.

Mais do que uma obra, o que está sendo construído em Inocência é uma nova escala para a indústria de celulose no Brasil — e o momento atual é justamente aquele que separa estrutura de funcionamento efetivo.