Mesmo com a assinatura do contrato de concessão da BR-262, principal via de ligação entre Três Lagoas e demais municípios da região leste do estado à capital, Campo Grande, as melhorias mais aguardadas como duplicação de parte do trecho e construções de terceiras faixas ainda vão demorar um pouco mais para saírem do papel. Durante visita a Três Lagoas neste domingo (12), o governador Eduardo Riedel confirmou que essas obras estruturantes devem começar apenas no próximo ano.
A declaração frustra a expectativa de quem trafega diariamente por trechos críticos da BR-262, uma das principais ligações da região e que acumula histórico de acidentes e alto fluxo de veículos pesados. Enquanto isso, segundo o governador, não há soluções imediatas para reduzir os transtornos enfrentados pelos motoristas, a quem ele pediu "paciência" e "respeito à legislação de trânsito vigente".
A concessão das rodovias, formalizada no início do ano, prevê um pacote bilionário de investimentos ao longo de 30 anos, incluindo duplicações, terceiras faixas, acostamentos e melhorias operacionais em trechos estratégicos que cortam o chamado Vale da Celulose.
Apesar do volume de recursos e da importância logística do projeto, o cronograma estabelece que as intervenções mais robustas só avancem após a fase inicial de estruturação da concessionária, o que empurra os impactos práticos para os próximos anos.
Na prática, isso significa que, ao longo de 2026, os usuários devem conviver com o mesmo cenário: tráfego intenso, presença constante de carretas de madeira — impulsionada pela expansão da indústria de celulose — e limitações estruturais em trechos considerados sensíveis.
A BR-262 que integra a Rota da Celulose é vista como um dos principais eixos logísticos do Estado, conectando regiões produtivas e fortalecendo o escoamento industrial. Ainda assim, até que as obras saiam do papel, a realidade nas estradas segue desafiadora — e exige cautela de quem passa diariamente por elas.

Cobrança de pedágio será ativada com início das obras
A concessão da BR-262 prevê a implantação do pedágio no modelo free-flow, mas a cobrança só passará a valer com o início efetivo das obras na rodovia. Nesse sistema, não haverá praças físicas de parada: pórticos instalados ao longo do trajeto farão a leitura automática das placas dos veículos em movimento.
Motoristas que utilizarem tag eletrônica terão o valor debitado automaticamente, com desconto previsto. Já quem não possuir o dispositivo deverá realizar o pagamento posteriormente por meio dos canais digitais da concessionária, dentro do prazo estabelecido.
Os pontos de cobrança estão previstos para os quilômetros 39, 104, 207 e 292, nos trechos que cruzam os municípios atendidos pela concessão. Os valores iniciais foram estimados no edital, mas devem ser ajustados após a formalização definitiva do contrato e aplicação do desconto ofertado pela empresa responsável.



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