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Seminário na Câmara de Três Lagoas expõe avanço dos casos de autismo e pressiona rede pública por respostas mais integradas

Foto: cedida/CMTL
Rogério Potinatti
30/4/2026
às
7:10

A Câmara Municipal de Três Lagoas sediou, na noite de terça-feira (28), um encontro que colocou em evidência um dos temas mais sensíveis da agenda social: o crescimento dos casos de Transtorno do Espectro Autista (TEA) e os desafios para garantir atendimento adequado no município.

Proposto pelo presidente da Casa, vereador Tonhão, o seminário reuniu representantes das secretarias municipais, entidades como APAE, OAB e Associação de Pais e Amigos do Autista (AMA), além de profissionais das áreas de saúde, educação e assistência social.

Um dos principais pontos apresentados veio da Secretaria Municipal de Educação. De acordo com a secretária Ângela Brito, o número de alunos com TEA na rede pública cresceu 255% entre 2022 e 2026. Diante desse cenário, o município estruturou uma rede de apoio que conta com 11 professores especializados em educação especial, além de psicólogos escolares e intérpretes de Libras que atuam de forma itinerante.

Na área da saúde, a secretária Juliana Salim destacou avanços no enfrentamento das filas de espera, especialmente com a chegada de novos profissionais. Um exemplo citado foi a redução da fila para atendimento psicológico, que caiu de quase duas mil pessoas para 630 pacientes. Ainda assim, a demanda segue alta: cerca de 700 pessoas aguardam consulta em psiquiatria adulta, evidenciando o descompasso entre necessidade e capacidade de atendimento.

Outro tema que ganhou destaque foi a situação do autista na fase adulta. A presidente do Conselho Municipal das Pessoas com Deficiência, Elisete Aparecida, chamou atenção para o chamado “vazio assistencial” enfrentado por essa população após a saída da rede escolar. Segundo ela, é fundamental ampliar o acesso a atividades esportivas como forma de garantir socialização e continuidade no acompanhamento.

reprodução/CMTL

Ao longo do debate, ficou evidente a necessidade de integração entre diferentes áreas. A articulação entre saúde, educação e assistência social foi apontada como essencial para evitar atendimentos fragmentados e garantir suporte completo às famílias.

Entre as medidas apresentadas, está o fortalecimento da Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (CIPtea), instrumento que assegura prioridade no atendimento e facilita o acesso a serviços. Na educação, foi confirmada a efetivação de 11 professores concursados para o Atendimento Educacional Especializado (AEE), estratégia considerada fundamental para garantir continuidade e qualidade no acompanhamento pedagógico.

Também houve mobilização junto à Secretaria Municipal de Esportes, Juventude e Lazer (Sejuvel), com a formalização da demanda por projetos específicos de esporte adaptado para pessoas com autismo.

Ao encerrar o encontro, o vereador Tonhão destacou que as discussões servirão de base para novas iniciativas legislativas voltadas à inclusão. Ele reforçou o compromisso do Legislativo em apoiar políticas públicas que tornem o município mais acessível e acolhedor.

Durante o evento, foi realizada ainda a entrega simbólica do livro “Quando tudo se encaixa”, da escritora Vivian Bega, que reúne relatos e reflexões sobre o universo do autismo.

O seminário integrou a programação do mês de abril, período dedicado à conscientização sobre o tema, e contou com a participação de diversas lideranças locais, entre elas Flávio Belchior (AMA), Nelson Silva Torres (APAE), Fernando Garcia de Brito (Assistência Social) e Tiago Martinho (OAB).