Um levantamento nacional sobre o sistema penitenciário brasileiro acendeu um alerta em Mato Grosso do Sul. Dados recentes indicam que pelo menos três unidades prisionais do Estado operam muito acima de sua capacidade, colocando-as entre as mais problemáticas do país.
O principal fator apontado é o excesso de detentos em relação às vagas disponíveis. Em Naviraí, por exemplo, a penitenciária de segurança máxima abriga 775 presos em um espaço projetado para apenas 254 — um índice que ultrapassa três vezes a capacidade original.
A situação também se repete em Japorã, onde 130 internos ocupam uma unidade com apenas 50 vagas. Já em Dourados, a maior unidade do Estado enfrenta um cenário ainda mais expressivo: cerca de 1.700 presos dividem um espaço que deveria comportar pouco mais de 700 pessoas.
Diante dos números, a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) afirma que os dados divulgados não refletem a realidade atual das unidades, embora não tenha apresentado números atualizados. O órgão ressalta que há um plano em andamento para ampliar a estrutura do sistema, incluindo a construção de novas unidades e a criação de mais vagas.
Entre as medidas já executadas, estão a abertura de vagas adicionais no interior e na Capital, além de projetos em fase de licitação que devem ampliar significativamente a capacidade do sistema prisional nos próximos anos.
Apesar disso, o crescimento da população carcerária segue pressionando a estrutura existente. Segundo a Agepen, cerca de 35% dos detentos cumprem pena por tráfico de drogas, o que ajuda a explicar a alta ocupação.
A posição geográfica do Estado também pesa nesse cenário. Com extensa faixa de fronteira com países vizinhos, Mato Grosso do Sul se tornou rota estratégica para o tráfico, o que impacta diretamente no número de prisões.
Esse reflexo aparece nas apreensões: somente nos três primeiros meses de 2026, quase 95 toneladas de entorpecentes foram retiradas de circulação no Estado.
O resultado é um sistema que cresce em número de presos em ritmo mais acelerado do que a capacidade de absorção — cenário que mantém o desafio da superlotação como um dos principais gargalos da segurança pública em Mato Grosso do Sul.


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