Em um cenário onde cultura e educação caminham lado a lado, a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em Três Lagoas, vem consolidando um projeto que vai além dos palcos. A Cia Teatral Ato Histórico: Cultura e Educação em Movimento, coordenada pela professora doutora Dolores Puga, tem se destacado como uma iniciativa que integra formação acadêmica, produção artística e impacto social.
O reconhecimento mais recente veio em novembro de 2025, quando o grupo foi certificado como Ponto de Cultura, dentro da Política Nacional Cultura Viva (Lei nº 13.018/2014). A certificação valoriza iniciativas que promovem acesso à cultura, formação cidadã e fortalecimento de redes culturais em todo o país.
Com um histórico de montagens relevantes, como Medeia, de Eurípedes, Lisístrata, de Aristófanes, e Eles Não Usam Black-Tie, de Gianfrancesco Guarnieri, o grupo reforça sua proposta de trabalhar o teatro como instrumento de reflexão social e política.

Teatro que atravessa a sala de aula
A atuação da companhia vai além da universidade. Por meio do projeto de extensão Cultura Brasileira nas escolas: conhecendo o teatro engajado nacional, estudantes de diferentes cursos do câmpus têm levado o teatro para dentro das escolas da cidade.
Desde 2023, a iniciativa já passou pelo Colégio Unitrês Objetivo e, em 2024, pela Escola Estadual Padre João Tomes, promovendo oficinas, debates e atividades práticas sobre temas que dialogam diretamente com o cotidiano dos alunos — como futebol, música popular, cinema e manifestações culturais brasileiras.
Um dos destaques do projeto é o trabalho desenvolvido a partir da obra Eles Não Usam Black-Tie, que aborda a luta operária e o contexto histórico do Brasil, incluindo reflexões sobre o período da ditadura militar. A proposta culmina em uma encenação teatral construída coletivamente entre universitários e alunos da educação básica.
Segundo a coordenadora, a iniciativa tem um papel formativo essencial.

Formação, memória e protagonismo
Todo o processo de criação — da direção à cenografia — é conduzido pelos próprios estudantes, que assumem funções como produção, maquiagem, fotografia e assistência de direção. A iniciativa envolve alunos de cursos como Direito, Geografia, História, Letras/Espanhol e Pedagogia, além da participação de professores da rede pública.
Para quem participa, o projeto representa mais do que uma atividade acadêmica. É uma experiência de transformação pessoal e coletiva. Estudantes relatam o reencontro com o teatro, o fortalecimento de vínculos e a oportunidade de dar voz a questões sociais urgentes por meio da arte.
A expectativa, segundo a coordenação, é repetir o sucesso de apresentações anteriores, que chegaram a lotar o anfiteatro com mais de 400 pessoas — prova de que há público e interesse por iniciativas que conectam cultura, educação e reflexão crítica.
Mais do que formar atores, o projeto forma cidadãos. E, em tempos de mudanças rápidas e desafios sociais complexos, o palco se reafirma como espaço de diálogo, memória e resistência.
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