Depois de mais de dez anos entre anúncios, tratativas e entraves burocráticos, o projeto do porto seco de Três Lagoas começa a ganhar contornos mais concretos. A prefeitura decidiu abrir um chamamento público para identificar, de forma transparente e legalmente segura, o terreno mais adequado para receber a futura estrutura alfandegária — considerada peça-chave para transformar o município em um dos principais corredores logísticos do Centro-Oeste.
A nova etapa representa uma mudança de estratégia. Embora áreas já tenham sido cogitadas anteriormente, incluindo uma propriedade rural na saída para Campo Grande e um ponto no Distrito Industrial próximo à Usina de Jupiá, nenhuma delas foi oficializada. A administração municipal optou por reiniciar o processo dentro de um modelo mais robusto, evitando riscos jurídicos e garantindo igualdade de participação aos interessados.
O objetivo agora é encontrar um local que reúna as condições ideais para abrigar o complexo, que deverá funcionar como um ponto alfandegário interior, permitindo que mercadorias sejam liberadas sem a necessidade de deslocamento até portos marítimos. Na prática, isso significa redução de custos, mais agilidade nas exportações e aumento da competitividade industrial.
A escolha da área seguirá critérios técnicos rigorosos, com avaliação logística, impacto urbano e potencial de integração com as principais rotas de transporte. Dependendo do local selecionado, o Plano Diretor do município poderá ser ajustado para viabilizar a instalação de estruturas complementares, como armazéns, centros de distribuição e até novos empreendimentos industriais.
O porto seco surge como resposta direta ao crescimento acelerado da cadeia da celulose, que hoje lidera a pauta exportadora local. Com a estrutura, empresas poderão realizar o despacho aduaneiro diretamente em Três Lagoas, encurtando distâncias e reposicionando a cidade como um elo estratégico no comércio internacional.
Lei de liberdade econômica
Essa movimentação ocorre em paralelo a um pacote mais amplo de modernização econômica. A prefeitura também revisa regras para simplificar a abertura de empresas e reduzir barreiras burocráticas. Uma das medidas ampliou para mais de 600 as atividades consideradas de baixo risco, permitindo que novos negócios iniciem operações com menos exigências iniciais e maior rapidez.
Outra frente é a integração com sistemas digitais nacionais que prometem reduzir drasticamente o tempo necessário para formalização de empresas. A meta é permitir que novos empreendimentos sejam abertos em questão de horas, criando um ambiente mais dinâmico e competitivo.
O momento é considerado decisivo para o município, que vive um novo ciclo de expansão impulsionado pela indústria e pelo setor de serviços. Atualmente, a cidade reúne cerca de 20 mil empregos industriais e registra crescimento consistente também em áreas técnicas, engenharia e manutenção especializada.
No horizonte, o porto seco se soma a outros projetos estruturantes, como melhorias rodoviárias e possíveis investimentos ferroviários. A combinação dessas infraestruturas pode consolidar Três Lagoas como um hub logístico regional, capaz de concentrar fluxos de mercadorias e atrair novos investimentos.
Mais do que uma obra isolada, o porto seco representa uma mudança de escala. Se concretizado, o projeto tem potencial para reposicionar definitivamente a cidade no mapa econômico nacional — não apenas como polo industrial, mas como uma plataforma logística conectada ao Brasil e ao mundo.






