A retomada da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-3), em Três Lagoas, pode trazer efeitos práticos ao mercado antes mesmo da conclusão total da obra. A expectativa é que a comercialização de ureia comece já em 2027, dois anos antes da operação plena da fábrica, prevista para o primeiro semestre de 2029.
A estratégia em estudo prevê a criação de uma espécie de plataforma de distribuição durante a fase final de construção, permitindo que o insumo chegue ao mercado de forma antecipada. Essa oferta inicial poderá incluir tanto produção própria quanto fertilizantes importados, funcionando como um mecanismo de abastecimento enquanto a planta não entra em operação completa.
A antecipação é vista como relevante para reduzir a dependência externa do país, especialmente em um cenário global marcado por instabilidade na oferta de insumos agrícolas.
A UFN-3, quando estiver totalmente ativa, terá capacidade para produzir 3.600 toneladas diárias de ureia e 2.200 toneladas de amônia, podendo suprir cerca de 15% da demanda nacional de fertilizantes nitrogenados.

As obras da unidade devem ser retomadas entre junho e julho deste ano, após a finalização dos contratos necessários para a conclusão do projeto. O investimento estimado gira em torno de US$ 1 bilhão, com expectativa de geração de até 8 mil empregos diretos no pico da construção, além de impacto na economia de Três Lagoas e região.
Para sustentar a operação, a planta demandará cerca de 2,2 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, principal insumo do processo produtivo. A Petrobras também avalia ampliar programas de qualificação profissional para atender à demanda por mão de obra especializada.
Mesmo após mais de uma década de paralisação, a estrutura da UFN-3 foi preservada e deve ser aproveitada. Antes da retomada integral, será necessária uma etapa de inspeção e revisão técnica dos equipamentos, procedimento considerado padrão em empreendimentos que ficaram inativos por longos períodos.
A conclusão da unidade é considerada estratégica para o país e para Mato Grosso do Sul, ao ampliar a capacidade industrial e fortalecer a cadeia do agronegócio — principal motor econômico da região.


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