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Uso de emendas na saúde de MS acende alerta e pode virar alvo de auditoria

Foto: reprodução
Da redação
27/4/2026
às
8:00

A forma como os municípios brasileiros — incluindo os de Mato Grosso do Sul — financiam a saúde pública entrou no radar dos órgãos de controle. Um pedido encaminhado ao Tribunal de Contas da União (TCU) busca investigar a distribuição de emendas parlamentares destinadas à área, diante de indícios de distorções e dependência crescente desses recursos.

Nos últimos anos, as transferências por emendas ganharam peso significativo no orçamento da saúde. Levantamento da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) aponta que, entre 2016 e 2025, a participação desses repasses saltou de 5% para 17% dentro do total administrado pelo Ministério da Saúde, somando R$ 21,5 bilhões.

Esse avanço, no entanto, não ocorreu de forma equilibrada. O estudo revela que cidades com características semelhantes acabam recebendo valores muito diferentes. Para se ter ideia da disparidade, apenas 20 municípios concentraram cerca de R$ 488 milhões em emendas, enquanto foi necessário somar aproximadamente mil cidades, com repasses muito menores, para atingir o mesmo volume de recursos.

Diante desse cenário, o subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado solicitou a abertura de auditoria para avaliar os critérios utilizados na distribuição dessas verbas nos últimos anos. A análise também deve verificar se há irregularidades na forma como as emendas vêm sendo contabilizadas para cumprir o piso constitucional da saúde.

A principal preocupação levantada é que decisões políticas estejam influenciando diretamente o acesso aos recursos, o que pode comprometer a equidade no atendimento à população. Há ainda críticas à existência de municípios com baixa capacidade econômica que, mesmo assim, absorvem volumes expressivos de verbas públicas, gerando questionamentos sobre a eficiência do modelo atual.

Como alternativa, a CNM propõe a criação de um fundo específico para equilibrar essa distribuição. A ideia é destinar uma pequena parcela das transferências discricionárias — cerca de 3% — para municípios que recebem menos recursos, utilizando critérios como população e indicadores sociais para definir os repasses.

O debate reacende uma discussão sensível: como garantir que o financiamento da saúde pública seja baseado em critérios técnicos e necessidades reais, e não condicionado a decisões pontuais de alocação de recursos.