Enquanto o Paraguai acelera a reta final da construção da Ponte da Bioceânica, o lado brasileiro ainda trabalha em ritmo mais lento na infraestrutura necessária para conectar a obra ao corredor internacional da Rota Bioceânica.
A previsão divulgada pelo DNIT aponta que o acesso rodoviário brasileiro e o futuro Centro Integrado de Fronteira, em Porto Murtinho, só deverão ser concluídos em dezembro de 2027 — mais de um ano após a entrega da ponte pelo governo paraguaio.
Do lado do Paraguai, a estrutura já ultrapassa 90% de execução. A expectativa é de que as duas extremidades da ponte sejam conectadas ainda em junho, com conclusão total prevista para setembro deste ano.
A obra é considerada uma das principais intervenções logísticas da América do Sul e integra o chamado Corredor Bioceânico, rota que pretende ligar os oceanos Atlântico e Pacífico através de Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.
No lado brasileiro, o projeto envolve cerca de 13 quilômetros de novas ligações rodoviárias entre a BR-267 e a ponte internacional, além da construção de pontes, viadutos e da estrutura aduaneira integrada entre os dois países.
Segundo o DNIT, duas pontes previstas no trajeto já foram concluídas, enquanto outras estruturas seguem em execução.
O futuro Centro Aduaneiro Integrado deverá reunir órgãos como Receita Federal, Polícia Federal, PRF, Anvisa e setores ligados ao controle sanitário e logístico das cargas.
A proposta é criar uma operação semelhante à existente entre São Borja e São Tomé, separando fluxo de caminhões e veículos de passeio para dar mais agilidade ao transporte internacional.

Apesar do avanço da ponte, o próprio governo federal admite que parte importante da estrutura brasileira ainda está em fase inicial de implantação. O centro aduaneiro, por exemplo, sequer começou a ser construído, já que o projeto passa por adaptações solicitadas por órgãos de fiscalização de fronteira.
A diferença de cronograma entre os dois países chama atenção justamente porque a Rota Bioceânica é vista como estratégica para transformar Mato Grosso do Sul em uma nova porta de saída para mercados asiáticos.
A expectativa é de que o corredor reduza custos logísticos em até 30% e encurte em cerca de 15 dias o transporte de mercadorias em comparação às rotas marítimas tradicionais via Canal do Panamá.
Nos bastidores, especialistas avaliam que a nova rota poderá provocar uma profunda mudança no fluxo comercial da América do Sul, desviando cargas que hoje passam por regiões como Sul do Brasil e Foz do Iguaçu para o eixo de Porto Murtinho.
Durante evento recente sobre a Rota Bioceânica em Campo Grande, o diplomata João Carlos Parkinson de Castro afirmou que o corredor possui potencial para movimentar aproximadamente US$ 2 bilhões anuais em comércio regional.
Além do transporte de minério e combustíveis, a rota deve beneficiar diretamente setores como celulose, proteína animal, agroindústria e exportações ligadas ao agronegócio sul-mato-grossense.
Mesmo com o atraso brasileiro, o avanço da ponte já é tratado como um marco histórico para a integração logística entre os países da América do Sul.


.gif)



