Mesmo com um custo geral de vida inferior à média do país, morar em Mato Grosso do Sul traz um desafio específico para o orçamento: as despesas fixas do dia a dia pesam mais aqui do que em quase todo o Brasil. Supermercado, moradia e contas básicas formam o trio que mais consome a renda das famílias.
De acordo com a pesquisa “Custo de Vida no Brasil”, feita pela Serasa em parceria com o instituto Opinion Box, o gasto médio mensal para viver no Estado é de R$ 3.330.
Isso coloca Mato Grosso do Sul na 14ª posição do ranking nacional — mais barato do que estados como Paraná (R$ 4,3 mil) e São Paulo (R$ 4.270).
Mas o problema aparece quando se olha para as despesas recorrentes. O Estado tem o 3º maior gasto médio do país com serviços essenciais, como água, energia elétrica e internet.
Essas contas somam, em média, R$ 610 por mês, ficando atrás apenas de Mato Grosso (R$ 670) e do Distrito Federal (R$ 640).

Na prática, o chamado “tripé da sobrevivência” — supermercado + contas básicas + moradia — consome cerca de 60% da renda familiar do sul-mato-grossense. Ou seja, mais da metade do que entra no mês já tem destino certo antes mesmo de qualquer lazer ou imprevisto.
Segundo o especialista em educação financeira da Serasa, Marcus Luz, o cenário é apertado: apenas 19% dos moradores do Centro-Oeste dizem ter facilidade para controlar as contas do dia a dia. Quando a renda não acompanha o custo de vida, cresce o risco de endividamento e de queda no Score de crédito, indicador que mede a saúde financeira do consumidor.
Para evitar esse efeito dominó, ele aponta algumas estratégias práticas:
• Prioridade absoluta: pagar primeiro moradia, saúde e serviços básicos.
• Comida feita em casa: reduzir pedidos por aplicativos e refeições fora, que encarecem muito o mês.
• Compras planejadas: trocar mercados de bairro por atacarejos e concentrar as compras em uma ou duas idas mensais.
• Consumo consciente: economizar energia e água, já que as tarifas no Estado estão entre as mais caras do país.
Em resumo: Mato Grosso do Sul não é o estado mais caro do Brasil para se viver, mas exige disciplina e planejamento para não deixar que as contas básicas engulam o orçamento.
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