Classificado como uma das "onças brasileiras", o Estado lidera grupo de elite que promete crescimento acima da média nacional; redução de tarifas e eficiência produtiva são as garras para conquistar o Velho Continente
Esqueça os "tigres asiáticos". O novo fenômeno econômico atende pelo nome de "onças brasileiras" e Mato Grosso do Sul é um dos protagonistas desse grupo de elite.
Um relatório da Futura Inteligência (Apex Partners), revelado pelo Valor Econômico, aponta que, embora o MS ainda exporte menos para a Europa do que a média nacional, o Estado é o que possui o maior potencial de "dar o bote certeiro" e lucrar com o histórico acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.
E o Estado não está sozinho nessa caçada. Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e Goiás, também integram um bloco selecionado por apresentarem crescimento econômico acelerado, IDH elevado e uma eficiência governamental que os coloca em um patamar superior ao restante do país.
Enquanto o Brasil destina 14,3% de suas exportações para a UE, as "onças" registraram 12,9% em 2025. No entanto, a força bruta está na composição: 67,4% do que esses Estados vendem para os europeus vem da agroindústria, contra apenas 23,8% no restante do Brasil. Com a queda das tarifas para produtos como farelo de soja, carnes e café, a competitividade sul-mato-grossense deve disparar.
O FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia) confirma o otimismo. O Centro-Oeste é a região que mais deve colher os frutos desse tratado, especialmente nos setores de soja e carne. Segundo o pesquisador Flávio Ataliba, o MS já joga na "primeira divisão" em termos de padrões sanitários e fitossanitários.
O grande desafio agora é a rastreabilidade e o compliance ambiental, exigências inegociáveis do mercado europeu que exigirão uma evolução constante da produção local.

Impacto real: o PIB em movimento
As projeções do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) são ambiciosas: o acordo tem o poder de injetar um crescimento de 0,46% no PIB brasileiro até 2040.
Para se ter uma ideia, esse ganho é quatro vezes superior ao projetado para a própria União Europeia (0,1%).
Apesar da resistência política de produtores franceses e poloneses, o "clima de jogo" no Brasil é de aceleração.
O texto já está nas mãos do Congresso, e o presidente da Câmara, Hugo Motta, planeja colocar a proposta em votação logo após o Carnaval, abrindo caminho para que as "onças" finalmente conquistem o território europeu.
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