Empreendimento estratégico para tirar caminhões da área urbana está com cerca de 50% executado e aguarda definição para retomada
A construção do contorno rodoviário de Três Lagoas entrou em um novo impasse. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) confirmou a rescisão unilateral do contrato com o Consórcio Contorno de Três Lagoas, responsável pela obra, que permanece paralisada desde o final de 2024.
Segundo o órgão federal, a decisão foi tomada após a empresa responsável deixar de atender notificações para retomar os trabalhos no canteiro de obras. O consórcio teria sido formalmente comunicado em duas ocasiões, mas não apresentou compromisso para reiniciar os serviços.
Com isso, o DNIT decidiu encerrar o contrato e iniciar os procedimentos para definir quem ficará responsável pela conclusão do projeto — considerado fundamental para o sistema viário do município.
Durante as negociações para tentar manter o contrato, o consórcio alegou desequilíbrio econômico-financeiro no empreendimento. A construtora argumentou que houve diferenças entre o anteprojeto apresentado inicialmente e as exigências técnicas durante a execução da obra.
Um dos principais pontos levantados foi o custo dos materiais utilizados na construção. Pelo contrato original, insumos como brita e areia deveriam ser produzidos pela própria empresa. No entanto, a empreiteira optou por comprar esses materiais no mercado, o que elevou significativamente os custos operacionais.
Além disso, a empresa relatou dificuldades para obter licenças ambientais e autorização para exploração de jazidas destinadas à extração de materiais. Também solicitou que o DNIT assumisse despesas adicionais relacionadas à mobilização e desmobilização do canteiro de obras.
O órgão federal, por sua vez, sustenta que todas essas responsabilidades já estavam previstas no contrato firmado entre as partes.

Obra está pela metade
Mesmo com a paralisação, cerca de 50% do contorno rodoviário já foi executado. Aproximadamente 15 quilômetros da via foram pavimentados em concreto, restando a conclusão do trecho final e de importantes estruturas de engenharia.
O projeto inclui ainda sete obras de arte especiais, entre elas seis viadutos e uma ponte sobre o Córrego do Onça, elementos considerados essenciais para o funcionamento completo da nova rota.
Outro obstáculo enfrentado durante a execução — relacionado às desapropriações de áreas no Cinturão Verde — já foi resolvido. De acordo com o DNIT, todos os imóveis necessários para a conclusão do traçado estão agora regularizados e disponíveis para a continuidade das obras.
Apesar da paralisação, o projeto ainda conta com recursos para avançar. Segundo o DNIT, há cerca de R$ 33 milhões disponíveis em caixa, valor suficiente para garantir pelo menos dois meses de trabalho assim que as obras forem retomadas.
Além disso, está prevista a destinação de aproximadamente R$ 200 milhões em investimentos federais para finalizar o empreendimento.
De acordo com o engenheiro do DNIT em Três Lagoas, Milton Rocha Marinho, parte desses recursos foi assegurada por meio de emendas parlamentares. A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, anunciou o repasse de R$ 200 milhões para a obra, embora o valor ainda não tenha sido oficialmente incorporado ao orçamento federal. Hoje, o saldo estimado para concluir todo o projeto gira em torno de R$ 150 milhões.
Com o rompimento oficializado, o DNIT avalia agora a possibilidade de convocar a empresa classificada em segundo lugar na licitação original para assumir o restante da obra.
Caso as empresas remanescentes não demonstrem interesse, será necessário abrir um novo processo licitatório, o que pode provocar novos atrasos no cronograma.
Para o engenheiro Milton Rocha Marinho, a solução mais rápida seria a contratação de uma das empresas já classificadas no processo anterior.
“Se for necessário iniciar uma nova licitação, o atraso pode ser ainda maior. O ideal seria chegar a um acordo com a segunda colocada para que as obras sejam retomadas o quanto antes”, explicou.

Impacto no trânsito da cidade
O contorno rodoviário foi projetado para desviar o tráfego pesado da área urbana de Três Lagoas, especialmente da Avenida Ranulpho Marques Leal, uma das principais vias da cidade.
A expectativa é que a nova rota reduza congestionamentos, acidentes e o desgaste da infraestrutura urbana causado pelo intenso fluxo de caminhões.
Segundo técnicos envolvidos no projeto, o empreendimento segue padrões modernos de engenharia rodoviária, com pavimento em concreto, interseções planejadas e iluminação em pontos estratégicos.
“O impacto real dessa obra só será sentido quando os viadutos estiverem concluídos e o sistema estiver totalmente integrado. Sem isso, o crescimento da cidade pode pressionar ainda mais o sistema viário atual”, destacou Marinho.
Por enquanto, porém, o futuro da obra segue indefinido. O DNIT ainda não informou prazo para concluir a análise das empresas remanescentes nem para lançar uma eventual nova licitação. Enquanto isso, o contorno rodoviário continua parado e sem previsão concreta de conclusão.



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