Mesmo com o financiamento internacional já assegurado, o amplo projeto de recuperação e modernização de rodovias estaduais em Mato Grosso do Sul ainda levará tempo até chegar às obras. A expectativa do governo é que a licitação só ocorra a partir de 2027, após a conclusão de uma longa etapa técnica.
O plano contempla cerca de 880 quilômetros de estradas, distribuídos em 13 rodovias que cortam regiões estratégicas do Estado, especialmente no sul e oeste. O investimento total previsto é de aproximadamente US$ 250 milhões — sendo US$ 200 milhões financiados pelo Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird) e outros US$ 50 milhões como contrapartida estadual.
Antes de qualquer intervenção no asfalto, porém, o projeto ainda passa por estudos detalhados de engenharia. Segundo o Escritório de Parcerias Estratégicas (EPE), essa fase deve se estender pelos próximos oito meses. Após a conclusão, o material será analisado por equipes técnicas do Estado, incluindo a Agesul, para então avançar às etapas seguintes, como consultas públicas, audiências e ajustes finais até a publicação do edital.
Paralelamente, o governo também cumpre exigências do contrato firmado com o banco internacional. Entre elas, está a realização de uma missão técnica com representantes do Banco Mundial, prevista para ocorrer no início de maio. A liberação dos recursos acontecerá de forma gradual, conforme o andamento das ações previstas no cronograma.
Programa Rodar MS
O pacote de obras integra o programa Rodar MS e foi estruturado para adotar modelos modernos de contratação. A maior parte dos trechos será atendida pelo formato chamado Design, Build and Maintain (DBM), que reúne em um único contrato as etapas de projeto, execução e manutenção. Nesse modelo, a empresa vencedora terá até dois anos para requalificar as rodovias e será responsável por mantê-las por um período que pode chegar a 10 anos.
Entre as exigências iniciais, está a eliminação de buracos já nos primeiros 90 dias após a assinatura do contrato. O pagamento à empresa será condicionado ao desempenho e à qualidade entregue ao longo do tempo, com metas previamente estabelecidas.
Outra parte do projeto será executada por meio de parcerias público-privadas (PPP), concentradas em dois trechos estratégicos: as rodovias MS-377 e MS-240, localizadas na região do Vale da Celulose. Nessa modalidade, os contratos podem se estender por até 30 anos.
A proposta do governo é elevar o padrão da malha rodoviária estadual, reduzindo custos ao longo do tempo e aumentando a eficiência logística. Estudos apontam que esse tipo de modelo pode gerar economia significativa ao poder público e diminuir despesas operacionais para usuários, especialmente no transporte de cargas.
Com impacto direto em cerca de 20 municípios, o projeto é visto como uma das principais apostas para melhorar a infraestrutura e a competitividade do Estado — embora, na prática, ainda dependa de etapas técnicas antes de sair definitivamente do papel.


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