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Edital em abril e leilão em julho marcam início da retomada da Malha Oeste após décadas de abandono

Foto: reprodução
Rogério Potinatti
23/2/2026
às
7:50

A recuperação da Ferrovia Malha Oeste já tem um cronograma definido para sair do papel. O edital de concessão será lançado em abril, com leilão previsto para julho deste ano, etapas que abrem oficialmente o caminho para o início das obras de reconstrução da linha férrea que liga Mato Grosso do Sul ao interior de São Paulo. O projeto é considerado estratégico para destravar o transporte ferroviário e reativar um corredor logístico praticamente paralisado há anos.

De acordo com o Ministério dos Transportes, a concessão da Malha Oeste faz parte de um pacote bilionário voltado à modernização da infraestrutura ferroviária nacional. A ferrovia, com 1.597 quilômetros de extensão, atravessa regiões-chave do agronegócio e inclui ramais que chegam aos municípios de Corumbá e Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai.

O investimento previsto é expressivo: cerca de R$ 35,7 bilhões serão destinados às obras de recuperação e modernização, enquanto outros R$ 53,5 bilhões devem ser aplicados ao longo da operação, prevista em contrato de concessão com duração de 57 anos. A expectativa é que a nova concessionária assuma a ferrovia após o leilão e dê início ao processo de revitalização, que inclui a reconstrução de trilhos, modernização de estruturas e retomada gradual das operações.

Hoje, grande parte da Malha Oeste está deteriorada ou sem uso, resultado de anos de baixa manutenção e redução do transporte ferroviário na região. A reativação é vista como essencial para reduzir custos logísticos e ampliar a competitividade da produção sul-mato-grossense.

Além de fortalecer o transporte interno, o projeto também busca integrar a ferrovia a corredores estratégicos de exportação. A conexão permitirá o escoamento de grãos, celulose e combustíveis até o Porto de Santos, principal porta de saída das exportações brasileiras.

O plano integra uma política mais ampla do governo federal para expandir a malha ferroviária e reduzir a dependência do transporte rodoviário. Ao todo, o programa prevê centenas de bilhões de reais em investimentos, com foco na reativação de trechos abandonados e na criação de novas rotas capazes de conectar polos produtivos aos portos e centros industriais do país.

Com o edital prestes a ser publicado e o leilão agendado, 2026 surge como o ano decisivo para o início efetivo da reconstrução da Malha Oeste e para a retomada de um dos principais eixos ferroviários do Centro-Oeste brasileiro.