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Gaeco fecha 2025 com 107 prisões em MS e bloqueio de mais de R$ 10 milhões do crime organizado

Foto: reprodução/Gaeco MS
Rogério Potinatti
13/1/2026
às
7:45

Se antes a cena clássica do combate ao crime organizado era a viatura na rua e o mandado na mão, em 2025 o Gaeco do Ministério Público de Mato Grosso do Sul descreveu um roteiro mais amplo — e cada vez mais tecnológico: prisões, buscas, rastreamento digital e asfixia financeira.

De janeiro a dezembro do ano passado, o Gaeco/MPMS comandou 11 operações originadas de investigações próprias e participou de 8 operações em parceria com Ministérios Públicos de outros estados. O balanço divulgado pela assessoria do MPMS aponta 107 prisões no período — uma média de nove encarceramentos por mês — ligadas a tráfico de drogas, corrupção envolvendo agentes de segurança e lavagem de dinheiro.

No braço operacional, o grupo cumpriu 370 mandados de busca e apreensão. Mas a ofensiva, segundo o MPMS, avançou com força no campo da inteligência: o Gaeco realizou extração forense de dados em 185 dispositivos, sendo 108 celulares, para subsidiar a produção de provas.

A atuação também incluiu medidas judiciais de monitoramento: 362 contas em plataformas digitais tiveram sigilo afastado e 294 linhas telefônicas foram interceptadas com autorização da Justiça.

Além das operações em parceria com outros MPs, o Gaeco/MPMS informou ter prestado apoio direto em 52 solicitações de outras forças públicas, reforçando a cooperação interestitucional.

O MPMS descreve que, em 2025, o Gaeco consolidou uma estratégia de “asfixia financeira” — mirando não apenas a prisão de envolvidos, mas o corte do combustível que mantém a máquina criminosa funcionando.

Como resultado desse foco patrimonial, o grupo afirma ter conseguido indisponibilizar mais de R$ 10 milhões em recursos — incluindo veículos de luxo, imóveis e valores em espécie — com o objetivo de enfraquecer capacidade logística e bélica de grupos criminosos.

Frentes de investigação: do caminhão “legal” ao crime no ambiente virtual

Segundo a descrição do MPMS, as operações do ano atacaram estruturas por diferentes lados:

  • Logística do tráfico: Operações como Snow e Blindspot concentraram esforços em Campo Grande e cidades da fronteira, mirando esquemas que teriam usado empresas de transporte para camuflar drogas em cargas lícitas, com menção a participação de policiais e ordens partindo de dentro de presídio.
  • Corrupção e contratos públicos: fases da Operação Malebolge miraram prefeituras e órgãos públicos no interior, com apuração de fraudes em licitações e pagamento de propina para direcionar contratos de serviços.
  • Lavagem e “fachadas”: Copertura e Fachada apontaram uso de comércios varejistas e empresas de serviços para dar aparência legal ao dinheiro ilícito.
  • Jogo do bicho e violência territorial: a Operação Successione avançou em fases contra milícias do jogo do bicho, investigando tentativas de reorganização e disputa por controle.
  • Fraudes eletrônicas e criptomoedas: a Operação Ad Blocker destacou a atuação no ambiente virtual, mirando redes que usariam fraudes digitais e criptoativos para financiar atividades criminosas.

A tese central do balanço é que, ao cruzar dados extraídos de dispositivos e informações obtidas no ambiente digital, as investigações buscaram rastrear o fluxo do dinheiro que sustenta as facções — transformando apreensões em provas para o Judiciário.

Entre as ações listadas estão: Snow (2ª fase), Ad Blocker, Malebolge (e 2ª fase), Blindspot (e 2ª fase), Spotless, Copertura, Blindagem, Successione (4ª fase) e Fachada — com datas distribuídas ao longo do ano.