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Gasoduto de R$ 160 milhões vai alimentar Arauco e projetar MS como polo energético do Centro-Oeste

Foto: reprodução
Rogério Potinatti
29/1/2026
às
8:00

A MSGÁS (Companhia de Gás do Estado de Mato Grosso do Sul) abriu licitação para construção de um gasoduto de 125 km que ligará Três Lagoas à unidade industrial da Arauco em Inocência. A obra, orçada em R$ 160 milhões, representa um passo decisivo para expandir a distribuição de gás natural no estado e consolidar a região leste como corredor logístico e energético de projeção nacional.

A tubulação de aço carbono com 8 polegadas de diâmetro faz parte do Projeto Sucuriú, que abriga a maior fábrica de celulose em linha única do mundo. O contrato de fornecimento de gás tem duração de 20 anos, com início previsto para 2027, quando a unidade da multinacional chilena começa a operar.

Celulose como motor de transformação regional

Com investimento superior a R$ 25 bilhões, a fábrica da Arauco terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose anuais. Os números traduzem impacto direto no mercado de trabalho: mais de 14 mil empregos durante a construção e cerca de 6 mil postos na operação.

O gasoduto, no entanto, vai além do atendimento industrial. A MSGÁS projeta o uso do gás natural também como combustível veicular, uma alternativa estratégica para uma região com intenso fluxo de caminhões dos setores de celulose, madeira e mineração.

Atualmente, a distribuição de gás natural em MS concentra-se em Campo Grande e Três Lagoas, atendidas pelo gasoduto Gasbol. A nova infraestrutura amplia significativamente a malha de abastecimento do estado.

Solução temporária e expansão ferroviária

Enquanto a obra do gasoduto não é concluída, a Arauco investiu R$ 2,198 milhões na aquisição de dois caminhões para garantir o fornecimento de gás natural em Dourados e Inocência.

Paralelamente, a empresa chilena avança com outra megainfraestrutura: um ramal ferroviário de US$ 4,6 bilhões. A pedra fundamental será lançada em 5 de fevereiro. O trecho exclusivo escoará 100% da produção da fábrica até o pátio da Rumo Malha Norte, com destino ao Porto de Santos para exportação. A conclusão está prevista para o segundo semestre de 2027.

A convergência de gasoduto, ferrovia e megafábrica posiciona o leste de Mato Grosso do Sul como território de investimentos bilionários, com potencial para reconfigurar a economia do Centro-Oeste nos próximos anos.

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Vantagens do uso de gás natural como combustível

O gás natural veicular (GNV) oferece vantagens significativas para a frota pesada que opera na região leste de Mato Grosso do Sul. O combustível proporciona economia de até 40% em comparação com o diesel, reduzindo drasticamente os custos operacionais de transportadoras que movimentam cargas de celulose, madeira e minerais.

Além do benefício financeiro, o GNV emite até 25% menos CO2 e praticamente elimina a liberação de partículas poluentes, atendendo a exigências ambientais cada vez mais rigorosas em mercados de exportação. A autonomia dos veículos também é um ponto positivo, já que caminhões adaptados podem percorrer distâncias comparáveis às do diesel sem necessidade de reabastecimento frequente.

Para uma região que concentra intenso tráfego de caminhões entre as fábricas de celulose, portos e áreas de mineração, a disponibilidade de gás natural representa tanto uma redução de custos logísticos quanto uma alternativa viável para descarbonização do setor de transportes.