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Herdeiro usava nome da família Zahran para atrair investidores, aponta investigação

Foto: reprodução
Da redação
2/2/2026
às
7:00

A Polícia Civil de São Paulo identificou que o empresário Camillo Gandi Zahran Georges, de 36 anos, usava o peso do sobrenome Zahran para dar aparência de solidez a negócios que, na prática, não existiam. Segundo a Deic de São José do Rio Preto, ele se apresentava como integrante do grupo empresarial da família e dizia ter influência em empresas conhecidas para convencer pessoas a investir grandes quantias de dinheiro.

Relatos de vítimas mostram que Camillo se valia da confiança pessoal e do prestígio do nome da família para fechar acordos. Quando pressionado por credores, afirmava que ninguém ficaria no prejuízo porque “um Zahran nunca deixa de pagar”.

Um casal que perdeu cerca de R$ 5 milhões afirma que jamais desconfiou, justamente por acreditar que o patrimônio da família tornaria impossível qualquer calote. Eles dizem que Camillo prometia honrar os compromissos “vivo ou morto”.

Apesar de ser neto de Ueze Zahran — fundador de um dos maiores grupos empresariais do Centro-Oeste —, Camillo não integra o quadro societário das empresas da família. Ainda assim, segundo a investigação, ele dizia fazer parte de conselhos e decisões estratégicas, o que aumentava a credibilidade das propostas que oferecia a investidores. A família Zahran é dona de empresas como a TV Morena (afiliada Rede Globo em MS e MT) e a Copagaz, além de outros empreendimentos.

Armas, cheques e outros objetos apreendidos na primeira fase da operação/Foto: Divulgação Deic

O Ministério Público aponta que o esquema envolvia falsas oportunidades de alto rendimento, como exportação de ouro, representação de uma marca de cachaça e a criação de uma rede de supermercados que nunca saiu do papel. Um personal trainer, que se tornou amigo do empresário, foi uma das vítimas e começou a investir em 2023 sem nunca receber o retorno prometido.

A operação batizada de “Castelo de Cartas” cumpriu mandados em Mato Grosso do Sul e em São Paulo. Foram apreendidos carros de luxo, joias, relógios, armas, dinheiro, documentos e cerca de R$ 1,5 milhão em notas promissórias. O prejuízo total ainda está sendo calculado. Camillo é considerado foragido e tem mandado de prisão em aberto. O irmão dele, Gabriel Zahran, prestou depoimento e foi liberado.

Em nota, Gabriel negou qualquer participação e afirmou que não mantém relação com Camillo além do sobrenome. Já o Grupo Zahran informou que nenhum dos envolvidos tem vínculo com suas empresas e que a gestão é independente, com governança própria e dentro da lei. As investigações seguem para identificar todas as vítimas e o alcance real do esquema.