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Homenagem a Lula no Carnaval 2026 provoca reação nacional e pode parar na Justiça Eleitoral

Foto: reprodução
Rogério Potinatti
18/2/2026
às
7:15

A participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no desfile da escola Acadêmicos de Niterói, no último domingo, transformou o Carnaval do Rio de Janeiro em um novo foco de tensão política e jurídica. Parlamentares da oposição reagiram com críticas contundentes e já articulam ações na Justiça Eleitoral, alegando possível promoção antecipada de candidatura.

Entre as vozes que se manifestaram está a senadora Tereza Cristina (PP/MS), que voltou a cobrar análise rigorosa do caso por parte do Tribunal Superior Eleitoral. Em publicação nas redes sociais, ela afirmou que o desfile teve caráter político e questionou se o episódio não configuraria propaganda irregular, destacando que ministros da Corte já haviam alertado para riscos envolvendo abuso de poder político, econômico e comunicacional.

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O enredo da escola contou a trajetória de Lula, desde a infância no Nordeste até sua ascensão à Presidência da República, incluindo representações simbólicas de momentos marcantes de sua carreira política. Alegorias e encenações também trouxeram referências a figuras públicas e episódios recentes da política nacional, o que ampliou a repercussão e intensificou o debate público.

Nos dias que antecederam o desfile, o tema já havia motivado diversas ações judiciais e questionamentos em órgãos de controle. Embora o TSE tenha rejeitado um pedido liminar que tentava impedir a apresentação, integrantes da Corte sinalizaram que determinados atos poderiam ser analisados posteriormente sob a ótica da legislação eleitoral.

Após a apresentação, o Partido Novo anunciou que pretende formalizar pedido de inelegibilidade do presidente, sob a alegação de que houve promoção política em um evento cultural. O presidente da sigla, Eduardo Ribeiro, afirmou que a legenda vê indícios de propaganda antecipada.

Outros nomes da oposição também reagiram. O senador Flávio Bolsonaro declarou que pretende recorrer à Justiça contra o que classificou como irregularidades. Já o deputado Nikolas Ferreira criticou a decisão de permitir o desfile e afirmou que buscará medidas no Ministério Público, incluindo ação por suposto abuso de poder político e econômico.

O deputado Rodolfo Nogueira (PL/MS) protocolou uma representação solicitando investigação sobre possível desrespeito à liberdade religiosa em determinadas alas da apresentação, alegando que elementos simbólicos podem ter ultrapassado os limites da liberdade artística.

Por outro lado, o Partido dos Trabalhadores divulgou nota negando qualquer irregularidade. A legenda sustentou que o desfile foi uma manifestação cultural independente, sem participação ou financiamento do partido ou do presidente. O texto também argumenta que a legislação eleitoral exige pedido explícito de voto para caracterizar propaganda antecipada — condição que, segundo o partido, não ocorreu.

Durante o evento, Lula acompanhou o desfile ao lado de autoridades e cumprimentou integrantes das escolas de samba. Posteriormente, publicou mensagem destacando a emoção de participar das festividades carnavalescas e exaltando a cultura popular brasileira.

O episódio agora deve continuar sendo analisado nas esferas política e jurídica, ampliando a disputa entre governo e oposição em um ambiente que ultrapassou o samba e chegou ao campo institucional.