O avanço da indústria de celulose no leste de Mato Grosso do Sul já não impacta apenas a economia dentro das fábricas. Do lado de fora, hotéis cheios, cidades movimentadas e um fluxo constante de profissionais especializados mostram como o setor tem redesenhado a dinâmica regional.
Nos últimos anos, a oferta de hospedagem cresceu de forma acelerada. Levantamento do Observatório do Turismo de MS aponta aumento de 55% no número de hotéis e de mais de 40% na quantidade de leitos na região desde 2019. Ainda assim, em períodos de pico, como as paradas industriais, a estrutura já não dá conta da demanda.
Em abril, Três Lagoas vive mais um desses momentos. A parada geral da Suzano mobiliza milhares de trabalhadores e levou a rede hoteleira local a 100% de ocupação. Sem vagas, muitos visitantes precisaram buscar hospedagem em cidades vizinhas do interior paulista, como Andradina, Castilho e Ilha Solteira.
A operação, que ocorre em ciclos de cerca de 18 meses, envolve mais de 2 mil profissionais e dezenas de empresas. Dividida em etapas, a manutenção deve seguir até o início de maio, mantendo a pressão sobre a rede de serviços durante todo o período.
Hoje, Três Lagoas concentra a maior parte da estrutura hoteleira da Costa Leste, com mais da metade dos empreendimentos e leitos disponíveis. Esse protagonismo também se reflete na ocupação: sempre que há grandes operações industriais, a cidade opera no limite.
Mesmo com a expansão recente, o crescimento do setor de celulose tem sido mais rápido do que a capacidade de resposta da rede de hospedagem — um indicativo claro do ritmo acelerado de desenvolvimento da região.
Para o poder público, esses períodos já são tratados como uma espécie de alta temporada — não turística, mas industrial. A circulação de trabalhadores aquece o comércio, impulsiona serviços e amplia a arrecadação municipal.
Além disso, a cidade começa a se posicionar como polo estratégico para manutenção industrial no país. Empresas globais do setor já ampliam presença no município, com projetos que devem consolidar Três Lagoas como base operacional para serviços ligados à cadeia da celulose.

Um novo perfil econômico
O impacto vai além dos números. O crescimento populacional, a diversificação de serviços e a chegada de novos empreendimentos mostram que a transformação é estrutural.
De cerca de 60 mil habitantes em 2009, Três Lagoas ultrapassa hoje os 140 mil moradores — reflexo direto da força industrial que segue moldando o futuro da região.
O que antes era um município de perfil interiorano hoje vive uma dinâmica típica de grandes polos econômicos — onde a “temporada cheia” não depende de feriado ou férias, mas do calendário da indústria.


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