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Mato Grosso do Sul investe abaixo do mínimo exigido com a saúde entre janeiro e abril de 2026

Foto: reprodução
Rogério Potinatti
27/5/2026
às
7:50

O Governo de Mato Grosso do Sul aplicou R$ 783 milhões na área da saúde entre janeiro e abril de 2026, segundo balanço apresentado nesta terça-feira (26) durante audiência pública da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. Porém, apesar do alto volume de investimentos, o Estado não alcançou o percentual mínimo exigido pela Constituição para gastos com saúde pública.

Dados apresentados pela Secretaria de Estado de Saúde mostram que o índice de aplicação de recursos próprios ficou em 10,23% da arrecadação de impostos e transferências constitucionais. Pela legislação, o mínimo obrigatório é de 12%.

Na prática, o Estado liquidou cerca de R$ 696,7 milhões em despesas com recursos próprios da saúde no quadrimestre, enquanto o valor necessário para atingir o índice constitucional seria de aproximadamente R$ 816,9 milhões. A diferença supera R$ 120 milhões.

Mesmo sem alcançar o percentual obrigatório, o índice registrado neste ano representa avanço em relação aos últimos anos. Em 2023, o percentual aplicado foi de 8,42%; em 2024, chegou a 8,67%; e em 2025 ficou em 9,60%.

Durante a audiência, os parlamentares também discutiram investimentos em infraestrutura hospitalar e ampliação da rede pública estadual. Entre as obras destacadas estão melhorias no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, incluindo reformas na UTI pediátrica, enfermarias e áreas de apoio da unidade.

O relatório ainda aponta avanço nas obras do Laboratório Central de Saúde Pública, que recebeu investimentos superiores a R$ 15 milhões, além da ampliação do Serviço de Verificação de Óbitos em Campo Grande e Dourados.

Outra frente apresentada pela SES envolve a modernização dos serviços digitais de saúde. O Estado informou crescimento nas teleconsultas e nos sistemas de telediagnóstico, com milhares de exames emitidos remotamente ao longo do primeiro quadrimestre.

Segundo a pasta, a estratégia de regionalização também segue em expansão, buscando reduzir o fluxo de pacientes do interior para a Capital. O percentual de encaminhamentos para hospitais fora de Campo Grande aumentou nos últimos meses, indicando ampliação da capacidade de atendimento regional.

Na atenção primária, os indicadores ficaram acima das metas estabelecidas pelo próprio Estado. A cobertura da Atenção Primária à Saúde ultrapassou 96%, enquanto os serviços de saúde bucal também apresentaram crescimento.

Durante a audiência, deputados e representantes da saúde pública ainda discutiram o avanço dos casos de chikungunya em Mato Grosso do Sul que já deixou 18 mortos e o andamento das campanhas de vacinação em diferentes regiões do Estado.