Mato Grosso do Sul aparece no topo do país quando o assunto é tempo dedicado ao trabalho. Levantamento com base em dados oficiais mostra que a grande maioria dos trabalhadores com carteira assinada no Estado cumpre jornadas superiores a 40 horas semanais — um índice que supera com folga a média nacional.
De acordo com informações da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), referentes a 2023, cerca de 89% dos trabalhadores formais no Estado estão submetidos a esse padrão. Na prática, isso significa que o modelo de seis dias de trabalho para apenas um de descanso ainda predomina na rotina de quase nove em cada dez profissionais sul-mato-grossenses.
O cenário é influenciado principalmente pelo perfil econômico local. Setores como o agronegócio e a agroindústria, que têm forte presença no Estado, contribuem diretamente para esse formato de jornada mais extensa. Em comparação, a média brasileira gira em torno de 80%, evidenciando a diferença regional.
O fenômeno não se limita a Mato Grosso do Sul. Outros estados com economia baseada em atividades produtivas intensivas também registram índices elevados, enquanto regiões com maior participação do setor público, como o Distrito Federal, apresentam jornadas menores.
O tema ganha ainda mais relevância diante de uma proposta em discussão no Congresso Nacional que prevê mudanças na carga horária semanal. O projeto encaminhado pelo governo federal propõe reduzir o limite atual de 44 para 40 horas semanais, além de estabelecer dois dias de descanso remunerado, substituindo o modelo 6x1 por uma escala 5x2.
A proposta também prevê que não haja redução salarial e que a nova regra tenha abrangência ampla, alcançando diferentes categorias profissionais.
Enquanto defensores da medida argumentam que a mudança pode melhorar a qualidade de vida e o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, setores produtivos demonstram preocupação com possíveis impactos na produtividade e nos custos das empresas.
Reflexos na saúde do trabalhador
Paralelamente ao debate, dados recentes apontam crescimento nos afastamentos relacionados à saúde mental no Estado. Casos de burnout — síndrome associada ao esgotamento profissional — têm sido registrados com frequência crescente, assim como benefícios previdenciários concedidos por adoecimento psicológico.
Nos últimos anos, milhares de trabalhadores sul-mato-grossenses precisaram se afastar das atividades por questões ligadas ao desgaste emocional, reforçando a discussão sobre os limites da jornada e seus efeitos no bem-estar.
Com um dos maiores índices de carga horária do país, Mato Grosso do Sul se torna peça central nesse debate nacional, que envolve produtividade, qualidade de vida e sustentabilidade das relações de trabalho.


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