Para falar de conquistas, precisamos falar de sobrevivência.
Porque nenhuma conquista parece grande quando ainda lutamos para continuar vivas.
E eu juro que tentei escrever um texto bonito.
Eu juro que tentei olhar apenas para nossas conquistas e avanços.
E eu olho… porque são muitos avanços.
Mas eles ainda não são maiores que o nosso desafio de continuar vivas.
Às vezes, parecem pequenos quando comparados à dor de receber, todos os dias, notícias de feminicídio, estupro e agressão.
Talvez antes de tudo precisemos voltar o foco para isso.
Porque antes de falarmos sobre mulheres em cargos de poder, antes de falarmos sobre direitos garantidos…
precisamos garantir que as mulheres continuem vivas.
Precisamos ter mulheres para a próxima geração.
E eu não quero que apenas a minha geração viva conquistas.
Eu quero que minhas filhas, minhas sobrinhas, netas, bisnetas, irmãs e amigas também vivam os avanços dessa luta.
Então talvez o primeiro passo seja esse:
mantê-las vivas.
E como fazemos isso?
Eu realmente gostaria de ter essa resposta. Sinto muito por não tê-la completamente.
Mas talvez existam caminhos — que, na verdade, já conhecemos. Talvez o que falte seja praticá-los de verdade.
Se o problema é cultural, precisamos focar em mudar essa cultura — e fazer isso com urgência.
Isso pode começar na educação:
dentro de casa, nas creches, nas escolas, faculdades, ensino infinito.
Educando meninos para entenderem que violência contra mulheres NÃO é aceitável e é CRIME!
Talvez seja sobre garantir que as leis que já existem funcionem de verdade.
Talvez seja sobre fortalecer redes de apoio para que nenhuma mulher precise enfrentar o medo sozinha.
Talvez seja sobre ensinar mulheres a reconhecer sinais de violência desde meninas, confiar umas nas outras, denunciar, se defender e pedir por defesa.
Talvez seja sobre nós, como sociedade, não aceitarmos mais o silêncio.
Falar!
Denunciar!
Proteger!
Apoiar!
Talvez a mudança cultural que precisamos comece assim: com educação, responsabilidade, apoio e coragem coletiva.
Para que um dia o Dia das Mulheres seja apenas sobre conquistas… e não sobre sobrevivência.
Porque antes de ocuparmos espaços, precisamos garantir que continuaremos existindo neles.
O que mais podemos fazer, como sociedade, para garantir isso?




