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Para falar de conquistas, precisamos falar de sobrevivência

Foto:
Thaysa Queiroz
9/3/2026
às
12:00

Para falar de conquistas, precisamos falar de sobrevivência.

Porque nenhuma conquista parece grande quando ainda lutamos para continuar vivas.

E eu juro que tentei escrever um texto bonito.

Eu juro que tentei olhar apenas para nossas conquistas e avanços.

E eu olho… porque são muitos avanços.

Mas eles ainda não são maiores que o nosso desafio de continuar vivas.

Às vezes, parecem pequenos quando comparados à dor de receber, todos os dias, notícias de feminicídio, estupro e agressão.

Talvez antes de tudo precisemos voltar o foco para isso.

Porque antes de falarmos sobre mulheres em cargos de poder, antes de falarmos sobre direitos garantidos…

precisamos garantir que as mulheres continuem vivas.

Precisamos ter mulheres para a próxima geração.

E eu não quero que apenas a minha geração viva conquistas.

Eu quero que minhas filhas, minhas sobrinhas, netas, bisnetas, irmãs e amigas também vivam os avanços dessa luta.

Então talvez o primeiro passo seja esse:

mantê-las vivas.

E como fazemos isso?

Eu realmente gostaria de ter essa resposta. Sinto muito por não tê-la completamente.

Mas talvez existam caminhos — que, na verdade, já conhecemos. Talvez o que falte seja praticá-los de verdade.

Se o problema é cultural, precisamos focar em mudar essa cultura — e fazer isso com urgência.

Isso pode começar na educação:

dentro de casa, nas creches, nas escolas, faculdades, ensino infinito.

Educando meninos para entenderem que violência contra mulheres NÃO é aceitável e é CRIME!

Talvez seja sobre garantir que as leis que já existem funcionem de verdade.

Talvez seja sobre fortalecer redes de apoio para que nenhuma mulher precise enfrentar o medo sozinha.

Talvez seja sobre ensinar mulheres a reconhecer sinais de violência desde meninas, confiar umas nas outras, denunciar, se defender e pedir por defesa.

Talvez seja sobre nós, como sociedade, não aceitarmos mais o silêncio.

Falar!
Denunciar!
Proteger!
Apoiar!

Talvez a mudança cultural que precisamos comece assim: com educação, responsabilidade, apoio e coragem coletiva.

Para que um dia o Dia das Mulheres seja apenas sobre conquistas… e não sobre sobrevivência.

Porque antes de ocuparmos espaços, precisamos garantir que continuaremos existindo neles.

O que mais podemos fazer, como sociedade, para garantir isso?

Por:

Thaysa Queiroz

Bióloga, apaixonada por diversidade, inclusão e equidade.