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Prefeito de MS proíbe celulares no expediente e declara guerra às redes sociais e gravações no trabalho

Foto: reprodução
Rogério Potinatti
25/1/2026
às
7:30

Servidores públicos de Ladário terão celular "silenciado" durante o expediente; portaria municipal veta redes sociais, vídeos e até ligações pessoais prolongadas, sob pena de advertência ou processo disciplinar

O prefeito de Ladário, Munir Sadeq Ramunieh (PSDB/MS), lançou uma "revolução digital" no funcionalismo público municipal com uma portaria que transforma o expediente em zona livre de celulares.

A medida, publicada no Diário Oficial da Assomasul na terça-feira (20) e entrou em vigor imediatamente, proíbe o uso de smartphones para redes sociais, gravações de áudio/vídeo, transmissões ao vivo e até ligações pessoais "prolongadas ou repetitivas". Quem desrespeitar pode enfrentar advertência ou processo administrativo disciplinar (PAD).

A Portaria nº 049/PML/2026, descrita como "educativa e organizacional", abrange todos os servidores, estagiários, colaboradores e prestadores de serviço da administração municipal, independentemente do cargo ou setor. O objetivo, segundo o chefe do Executivo, é garantir foco e produtividade, mas a medida gera debates sobre equilíbrio entre controle institucional e direitos individuais.

Ladário possui pouco mais de 24 mil habitantes e está localizada na região oeste do Estado, às margens do Rio Paraguai. Vizinha de Corumbá, forma uma região integrada e rica em história, natureza e cultura, com forte ligação com a Marinha e o turismo ecológico.

O prefeito de Ladário, Munir Sadeq Ramunieh (PSDB/MS) | reprodução Facebook

O que muda conforme a portaria

  • Proibições absolutas: Gravações de vídeos, áudios ou imagens; transmissões ao vivo; postagens, comentários ou interações em redes sociais; e ligações pessoais extensas.
  • Restrições contextuais: Celulares devem ficar no modo silencioso ou vibratório. Uso proibido durante atendimento ao público, reuniões e atividades que exigem concentração contínua.
  • Exceções mínimas: Uso funcional apenas quando estritamente necessário. Para fins pessoais, apenas emergências familiares, saúde urgente ou comunicações breves e indispensáveis — mas sem gravações ou postagens.

A portaria sinaliza uma abordagem rigorosa para combater distrações digitais, mas especialistas em gestão pública apontam que medidas como essa podem gerar tensão entre empregadores e empregados. Em um mundo onde o celular é extensão do trabalho e da vida pessoal, a linha entre controle e invasão de privacidade fica tênue.

Impacto na produtividade

Defensores da medida argumentam que ela visa elevar a eficiência no serviço público, reduzindo interrupções por notificações ou uso recreativo. No entanto, críticos questionam se não seria mais eficaz investir em treinamentos sobre equilíbrio digital ou ferramentas de bloqueio seletivo, em vez de proibições absolutas.

A administração municipal não divulgou dados sobre o impacto esperado na produtividade, mas a portaria reforça o compromisso com uma gestão mais disciplinada. Servidores que precisarem de exceções devem justificar formalmente, mantendo o foco no atendimento à população.

Contexto nacional

Ladário não é pioneiro em restrições a celulares no trabalho — municípios e empresas privadas já adotam regras similares para combater distrações.

No entanto, a abrangência da nova regra, que inclui prestadores de serviço e proíbe até interações em redes sociais, coloca a cidade em destaque no debate sobre modernização da gestão pública.