A reativação das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-3), em Três Lagoas, deve ocorrer entre os meses de junho e julho deste ano. O cronograma depende da conclusão dos contratos com fornecedores, prevista para maio. Após essa etapa, o reinício efetivo pode acontecer em até 60 dias.
O projeto, considerado estratégico para o país, prevê investimento de cerca de US$ 1 bilhão para concluir a unidade, que deve entrar em operação no primeiro semestre de 2029.
A planta terá capacidade para produzir aproximadamente 1,2 milhão de toneladas de ureia por ano, com impacto direto no agronegócio e na redução da dependência brasileira de fertilizantes importados.
Mas apesar do avanço, a retomada ocorre sob a sombra de um passivo que ainda não foi resolvido. Empresas locais que participaram da construção da unidade — que chegou a 81% de execução antes de ser paralisada, em 2014 — relatam prejuízos que ultrapassam R$ 600 milhões.
Mais de 120 negócios da região, incluindo prestadores de serviço e fornecedores, afirmam que ficaram sem receber pelos trabalhos executados. À época, o empreendimento movimentava cerca de R$ 150 milhões por mês na economia local, sustentado em grande parte por empresas que recorreram a empréstimos e capital próprio para manter as operações.
Com a interrupção das obras, consórcios responsáveis entraram em recuperação judicial, com planos de pagamento de longo prazo e condições consideradas inviáveis por parte dos credores.
"Meus clientes, reféns de décadas, viram negócios falirem enquanto o concreto que ajudaram a erguer secou sem pagamento, as refeições e os dormitórios destinados sofreram apenas a imposição tributária, os caminhões, máquinas que gastaram horas e milhares de litros de diesel, hoje recebem um: 'tá na justiça'", argumenta o advogado Humberto Garcia de Oliveira, que representa parte dos credores.

Insegurança jurídica e cobrança por reparação
A disputa judicial envolvendo os débitos ainda apresenta decisões divergentes, o que amplia a insegurança para os empresários. Enquanto alguns casos tiveram reconhecimento de corresponsabilidade, outros seguem vinculados aos processos de recuperação judicial.
Mesmo com o novo ciclo de investimentos anunciado, representantes do setor afirmam que não houve, até o momento, medidas concretas para reparar os prejuízos acumulados ao longo da paralisação.
A retomada da UFN-3, portanto, reacende não apenas as expectativas econômicas para Três Lagoas, mas também a cobrança por soluções para um problema que se arrasta há mais de uma década.
"Senhor presidente da Petrobras: valorize quem gerou empregos, pagou impostos e ergueu 81% da obra — sustentando-a por 9 meses com endividamento pessoal. O problema veio de vocês: paralisações, rescisões e recuperações judiciais. Não dos empresários. Aos nossos governantes, o apelo é direto: contribuímos muito e esperamos, no mínimo, reconhecimento e luta em nossa defesa. Entendemos os benefícios da retomada da obra, mas recomeçar, ignorando-nos, destrói nossa moral, confiança e dedicação — fadando o projeto a repetir os mesmos erros. Lutem por nós!", finaliza o advogado.


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