Depois de quase dois anos de idas e vindas, o Governo de Mato Grosso do Sul conclui um dos projetos mais estratégicos de sua agenda de infraestrutura: a concessão da chamada Rota da Celulose.
Conforme o governo, o contrato será assinado nesta segunda-feira (2) com a Concessionária Caminhos da Celulose, consórcio liderado por um fundo de investimentos ligado à XP, que ficará responsável por recuperar, operar, manter e ampliar cerca de 870 quilômetros de rodovias estaduais e federais ao longo de 30 anos.
O projeto começou a ser desenhado em 2023 e enfrentou uma trajetória marcada por ausência de interessados no primeiro leilão, revisões no modelo econômico-financeiro, disputas administrativas e até judicialização. Ainda assim, chega agora à fase decisiva, abrindo caminho para investimentos que prometem transformar a logística do Estado.
A Rota da Celulose reúne trechos das rodovias MS-040, MS-338, MS-395, BR-262 e BR-267, formando um corredor que atravessa nove municípios: Campo Grande, Ribas do Rio Pardo, Santa Rita do Pardo, Bataguassu, Água Clara, Três Lagoas, Nova Alvorada do Sul, Nova Andradina e Anaurilândia. A malha atende áreas de forte atividade econômica, especialmente ligadas à celulose, ao setor sucroenergético e ao agronegócio.

Desde o início, o governo tratou a concessão como peça-chave para modernizar a infraestrutura logística, aumentar a competitividade das exportações e reforçar a integração com a Rota Bioceânica, que conecta o Centro-Oeste brasileiro ao Pacífico.
O primeiro leilão, realizado em 2024, não teve interessados. À época, o cenário econômico — com juros elevados, dólar alto e excesso de concessões rodoviárias no mercado — afastou investidores. Diante disso, o Estado reformulou o projeto: manteve o escopo das obras e a extensão da malha, mas ajustou o cronograma de investimentos para tornar a concessão mais atrativa.
Com o novo modelo, o segundo leilão, em maio de 2025, atraiu quatro grupos. A disputa foi acirrada e terminou com vitória do Consórcio K&G, que ofereceu maior desconto na tarifa. Porém, o resultado não se manteve. Após recursos administrativos, a comissão de licitação entendeu que o grupo vencedor não atendia mais aos requisitos técnicos exigidos e o desclassificou, convocando o segundo colocado: o Consórcio Caminhos da Celulose.
A decisão foi questionada judicialmente, mas o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul negou o pedido para suspender a licitação, entendendo que paralisar o processo traria mais prejuízos ao interesse público. Com isso, o resultado foi mantido e o novo consórcio seguiu para a fase final.

Em setembro de 2025, a Caminhos da Celulose foi oficialmente habilitada após comprovar capacidade jurídica, fiscal, financeira e técnica. Desde então, o processo entrou nos ajustes finais para a assinatura do contrato.
O acordo prevê cerca de R$ 6,9 bilhões em investimentos ao longo de 30 anos, incluindo duplicações, implantação de acostamentos, terceiras faixas, contornos urbanos, dispositivos de segurança, passagens de fauna e obras especiais. Ao final das intervenções, toda a malha deverá contar com acostamento.
A cobrança de pedágio será no modelo eletrônico free flow, sem praças físicas, com 12 pontos de cobrança ao longo do trajeto.
Com a assinatura, o governo encerra um ciclo iniciado em 2023 e destrava um projeto considerado fundamental para a logística da indústria de celulose, a integração regional e a melhoria das condições de tráfego em um dos principais corredores rodoviários de Mato Grosso do Sul.






