Mato Grosso do Sul vem consolidando seu papel como referência em conservação ambiental ao integrar ações de monitoramento, preservação de biomas interligados e estratégias de manejo sustentável diante dos impactos da expansão da infraestrutura. Esse conjunto de iniciativas tem ampliado parcerias internacionais, fortalecido o turismo sustentável e colocado o Estado em posição de destaque na agenda ambiental global.
Esse protagonismo ficou evidente neste domingo (22), quando Campo Grande sediou o Segmento de Alto Nível que antecede a COP15 da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS). O encontro reuniu lideranças nacionais e internacionais em um dos momentos mais importantes da agenda ambiental mundial.
O governador Eduardo Riedel participou do evento ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do presidente do Paraguai Santiago Peña e de representantes de seis convenções ambientais globais. A presença dessas autoridades reforçou o peso político e estratégico da conferência.
Durante sua fala, Riedel destacou a responsabilidade ambiental do Estado, que abriga três biomas relevantes — Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal — este último considerado um dos ecossistemas mais preservados do planeta, com cerca de 84% de sua vegetação nativa mantida. Segundo ele, proteger o Pantanal significa preservar fluxos ecológicos que ultrapassam fronteiras e impactam diretamente o equilíbrio ambiental global.
O governador também enfatizou que o desenvolvimento econômico de Mato Grosso do Sul tem sido conduzido com base na conciliação entre produção e preservação. Para ele, esse modelo demonstra que crescimento e sustentabilidade podem caminhar juntos, sem conflito.
Para o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a realização da COP15 em Campo Grande reforça o compromisso do Brasil com a preservação do Pantanal — a maior planície alagável do mundo e um dos principais corredores naturais de migração de espécies. A região sul-mato-grossense, por exemplo, serve como ponto estratégico para cerca de 190 espécies de aves que cruzam o continente americano, do hemisfério norte até o extremo sul.
A ministra Marina Silva destacou a necessidade de cooperação internacional para enfrentar os desafios ambientais. Segundo ela, a proteção da biodiversidade exige acordos sólidos, políticas integradas e compromissos conjuntos entre os países.
O próprio presidente Lula reforçou essa visão ao relacionar o tema da conferência com a dinâmica natural das espécies migratórias. Ele destacou que a natureza não reconhece fronteiras políticas e que a preservação depende de ações coordenadas entre as nações. Como exemplo, citou a onça-pintada, que percorre extensas áreas do continente em busca de alimento e reprodução, evidenciando a interdependência dos ecossistemas.
A COP15, realizada pela primeira vez no Brasil, deve reunir representantes de 133 países e cerca de 2 mil participantes, entre autoridades, cientistas, organizações internacionais e membros da sociedade civil. A programação inclui debates estratégicos sobre conservação de habitats, rotas migratórias e os impactos de grandes obras de infraestrutura nos ecossistemas.
No segmento de alto nível realizado neste domingo, as discussões se concentraram especialmente no papel das áreas úmidas na preservação das espécies migratórias e nos desafios impostos pelo avanço de projetos estruturantes sobre esses ambientes naturais.
Riedel voltou a defender um modelo que una regulação eficiente e incentivos econômicos inteligentes, tornando a conservação ambiental não apenas uma obrigação, mas uma alternativa viável do ponto de vista econômico. Segundo ele, ouvir a ciência e alinhar produção com preservação é o caminho para posicionar Mato Grosso do Sul como uma potência ambiental, além de referência no agronegócio.
A agenda também contou com a presença de autoridades estaduais, como o secretário Jaime Verruck e o secretário-adjunto Artur Falcette, além da ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, reforçando a articulação entre diferentes níveis de governo para avançar nas pautas ambientais.
Ao sediar um dos principais encontros globais sobre biodiversidade, Mato Grosso do Sul não apenas amplia sua visibilidade internacional, mas também se posiciona como protagonista na construção de soluções que conectam desenvolvimento econômico, preservação ambiental e cooperação entre países.


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