Mato Grosso do Sul enfrenta em 2026 o pior avanço da chikungunya já registrado em sua história. Em apenas quatro meses, o Estado já acumula mais da metade de todos os casos confirmados na última década inteira, consolidando-se hoje como o principal foco da doença no país.
Os números mostram a dimensão da escalada. Somente entre janeiro e abril deste ano, já foram contabilizados 10,8 mil casos prováveis da doença, volume equivalente a cerca de 51% de tudo o que Mato Grosso do Sul registrou desde 2016.
A situação também preocupa pelo aumento das mortes. Até agora, 16 óbitos foram confirmados em decorrência da chikungunya, enquanto outros dois seguem sob investigação. O total deste ano já representa praticamente dois terços das mortes registradas pela doença nos últimos dez anos no Estado.

Interior concentra cenário mais grave
A crise sanitária atinge praticamente todo o território sul-mato-grossense. Segundo os dados oficiais, 76 dos 79 municípios já registraram circulação do vírus.
Dourados concentra a maior parte das mortes confirmadas, seguida por Bonito, Jardim e Fátima do Sul.
Nas aldeias Jaguapiru e Bororó, na Reserva Indígena de Dourados, a situação se tornou ainda mais crítica. A região chegou a concentrar cerca de um quarto de todos os casos registrados em Mato Grosso do Sul, além de boa parte das mortes confirmadas.
A falta de abastecimento regular de água, o armazenamento inadequado em caixas improvisadas e as dificuldades de acesso à informação são apontados como fatores que favoreceram a proliferação do mosquito transmissor.
Os índices colocam Mato Grosso do Sul muito acima da média brasileira. A incidência da doença no Estado é quase 20 vezes maior que a registrada nacionalmente, segundo os dados oficiais.
Além disso, praticamente sete em cada dez mortes por chikungunya registradas no Brasil neste ano ocorreram em território sul-mato-grossense.
Mesmo diante do avanço acelerado, a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul afirma que ainda não classifica o cenário como epidemia estadual, argumentando que a avaliação considera diferentes critérios epidemiológicos e não apenas a incidência da doença.
Doença pode deixar sequelas permanentes
Transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, a chikungunya provoca febre alta e dores intensas nas articulações, muitas vezes incapacitantes.
Especialistas alertam que a doença pode causar complicações neurológicas e deixar sequelas por meses ou até anos em parte dos pacientes.
A infectologista Andyane Tetila afirma que, diante do cenário atual em Mato Grosso do Sul, qualquer quadro repentino de febre associado a dores articulares já levanta suspeita imediata para chikungunya.
Diante da escalada da doença, municípios como Itaporã e Dourados iniciaram campanhas de vacinação contra a chikungunya, priorizando inicialmente adultos sem comorbidades e áreas de maior incidência.
O Estado recebeu um primeiro lote de doses e a distribuição vem ocorrendo de forma gradual para garantir armazenamento adequado dos imunizantes.
Enquanto isso, autoridades reforçam o apelo para eliminação de focos do mosquito, principalmente recipientes que acumulam água parada, considerados os principais criadouros do transmissor.

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