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Após um ano, possível concessão federal reacende esperança sobre retomada de voos no Aeroporto de Três Lagoas

Foto: reprodução
Rogério Potinatti
11/3/2026
às
7:55

O Aeroporto Municipal Plínio Alarcon, em Três Lagoas, pode voltar ao centro das discussões sobre infraestrutura e conectividade aérea no interior de Mato Grosso do Sul. A possibilidade de inclusão do terminal em um novo pacote de concessões aeroportuárias estudado pelo Ministério de Portos e Aeroportos abre caminho para investimentos e para a retomada de operações comerciais regulares na cidade.

O modelo em análise pelo governo federal prevê que grandes aeroportos com alto fluxo de passageiros sejam concedidos em conjunto com terminais regionais, permitindo que a gestão privada invista também em aeroportos menores considerados estratégicos para o desenvolvimento regional. Nesse contexto, o aeroporto de Três Lagoas poderia integrar o lote vinculado ao Aeroporto Internacional de Brasília.

Para Três Lagoas — reconhecida como um dos principais polos industriais do Centro-Oeste e conhecida nacionalmente pela forte indústria de celulose — a retomada da aviação comercial é vista como fundamental para fortalecer a logística empresarial e ampliar a conexão da região com outros centros econômicos do país.

reprodução

Aeroporto está sem voos regulares há um ano

Apesar da importância estratégica, o Aeroporto Plínio Alarcon está sem voos comerciais regulares desde março de 2025, quando a Azul Linhas Aéreas encerrou suas operações no município. Desde então, o terminal tem sido utilizado apenas por aeronaves particulares e voos de pequeno porte.

A interrupção ocorreu mesmo após um longo processo de estruturação do aeroporto para atender à aviação comercial. Ao longo dos anos, o terminal passou por melhorias importantes, como a pavimentação da pista e a construção do receptivo de passageiros, adequando a estrutura às exigências operacionais para receber companhias aéreas.

Durante diferentes períodos, empresas aéreas operaram voos ligando Três Lagoas a cidades como São Paulo e Campinas, o que permitia conexões com diversos destinos nacionais.

O prefeito Cassiano Maia, o secretário municipal de desenvolvimento econômico Marcos Antônio Gomes Junior e outras autoridades municipais seguem na tentativa de reverter a situação, conquistando novamente voos regulares para o aeroporto junto às principais companhias aéreas que operam no Brasil.

Reunião realizada na Gol Linhas Aéreas | reprodução PTL

A manutenção de rotas regionais, no entanto, enfrenta desafios frequentes no setor aéreo brasileiro. Entre os fatores apontados pelas companhias estão custos operacionais elevados, pagamento de leasing de aeronaves e variações na ocupação dos voos.

Para estimular a operação no interior, o governo de Mato Grosso do Sul mantém incentivos fiscais sobre o combustível de aviação, com redução do ICMS para empresas que operam rotas no Estado. A medida busca garantir a presença de companhias aéreas em cidades estratégicas e ampliar a malha regional.

Mesmo assim, a suspensão de voos em municípios do interior tem sido recorrente em diferentes regiões do país.

Além da necessidade de operadores interessados, especialistas apontam que o aeroporto de Três Lagoas ainda precisa avançar em alguns aspectos estruturais, especialmente na instalação de equipamentos de navegação por instrumentos, que permitem maior segurança em pousos e decolagens em condições climáticas adversas.

A ausência desse tipo de tecnologia limita as operações e pode dificultar a ampliação da malha aérea.

Enquanto a retomada da aviação comercial não ocorre, moradores e empresários da região precisam se deslocar até aeroportos de outras cidades, como Araçatuba, Presidente Prudente ou Campo Grande, para acessar voos nacionais.

Polo industrial pressiona por conectividade

Com forte crescimento econômico impulsionado pela indústria, especialmente pelo setor de celulose, Três Lagoas consolidou-se como um dos principais centros produtivos do Estado. Nesse cenário, lideranças locais defendem que a cidade não pode permanecer sem voos comerciais regulares.

A expectativa é que novos modelos de concessão aeroportuária e investimentos em infraestrutura possam viabilizar a reativação das rotas comerciais, ampliando a conectividade da região e atendendo à demanda crescente de passageiros e empresas instaladas no município.