Município arrecada menos de 3% do potencial para fundos sociais e aposta em mobilização para reverter cenário
Um recurso milionário, já pago pelos contribuintes, segue praticamente inexplorado em Três Lagoas. A constatação deu o tom do lançamento da campanha “Sou Cidadão Solidário”, realizado na última terça-feira (31), na Câmara de Vereadores, com o objetivo de mudar essa realidade e ampliar a destinação do Imposto de Renda para projetos sociais no município.
A iniciativa, articulada pelo Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa (CMDPI), em parceria com o poder público, busca conscientizar a população sobre a possibilidade de direcionar parte do imposto devido para fundos que financiam ações voltadas a crianças, adolescentes e idosos.
Hoje, o desafio é evidente: apesar de um potencial estimado em R$ 11 milhões, Três Lagoas arrecadou cerca de R$ 300 mil no último ano — menos de 3% do total possível.
Para o presidente do CMDPI, Márcio Aurélio de Oliveira, o principal obstáculo ainda é a falta de informação. “Não se trata de uma doação, mas de uma destinação. Esse recurso já pertence à União. O contribuinte pode escolher para onde ele vai”, explicou durante o evento.
A proposta é simples: ao declarar o Imposto de Renda, pessoas físicas e jurídicas podem indicar que parte do valor devido seja encaminhada diretamente para projetos sociais locais, sem qualquer custo adicional.

Dinheiro público com destino local
Outro ponto reforçado durante o encontro foi a possibilidade de dividir a destinação entre diferentes causas. Segundo representantes do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), o contribuinte pode apoiar simultaneamente projetos voltados à infância e à terceira idade, ampliando o impacto social.
Para o secretário de Assistência Social, Fernando Garcia de Brito, a ampliação desses recursos é essencial diante de demandas crescentes no município. Ele citou, por exemplo, o aumento de casos de abandono de idosos e a necessidade de fortalecer políticas públicas voltadas ao acolhimento e à convivência.
Já o presidente da Câmara, vereador Tonhão, destacou o papel do Legislativo na mobilização da sociedade e afirmou que a Casa deve atuar na divulgação da campanha para ampliar o alcance da iniciativa.
O lançamento também contou com orientações técnicas voltadas ao público, explicando como realizar corretamente a destinação no momento da declaração do imposto. Especialistas abordaram aspectos legais e tributários, além de esclarecer dúvidas frequentes sobre o processo.
A expectativa dos organizadores é que, com mais informação e engajamento, o município consiga transformar um recurso hoje subutilizado em investimentos diretos na qualidade de vida da população — especialmente de quem mais precisa.
A campanha agora aposta no efeito multiplicador da informação para mudar o cenário: fazer com que o imposto, em vez de seguir sem destino definido, passe a gerar impacto concreto dentro da própria cidade.


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