Diante do aumento expressivo de casos de chikungunya, Mato Grosso do Sul entrou na disputa para integrar a estratégia nacional de vacinação ainda em fase experimental no país. O pedido foi formalizado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), que tenta garantir a inclusão do Estado no projeto conduzido pelo Ministério da Saúde em parceria com o Instituto Butantan.
A movimentação ocorre após o avanço da doença em Dourados, especialmente nas aldeias indígenas Jaguapiru e Bororó, onde já foram confirmados mais de 500 casos, segundo dados da Secretaria de Saúde Indígena. O cenário acendeu o alerta das autoridades sanitárias e colocou o município como prioridade na tentativa de acesso ao imunizante.
A vacina contra a chikungunya já recebeu aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas ainda passa pela chamada fase 4 — etapa em que sua eficácia é monitorada em condições reais de uso. Por isso, a aplicação no Brasil segue de forma controlada, dentro de um modelo piloto que seleciona regiões específicas com base em critérios técnicos.
Entre os fatores considerados pelo Ministério da Saúde estão a gravidade do cenário epidemiológico, a capacidade operacional dos municípios e a estrutura de vigilância em saúde. Inicialmente, Mato Grosso do Sul não estava entre os territórios escolhidos, o que levou a SES a montar um dossiê técnico para justificar a inclusão.
Segundo o secretário estadual de Saúde, Maurício Simões, o avanço da doença exigiu uma resposta rápida e baseada em evidências.
“O agravamento da situação em Dourados nos levou a estruturar uma proposta consistente para garantir que o Estado seja contemplado. É uma medida necessária para ampliar a proteção da população”, afirmou.
A pressão aumentou após registros mais graves da doença nas comunidades indígenas, incluindo óbitos, o que reforçou o pedido de prioridade para essas áreas. Técnicos da área de imunização destacam que o novo cenário foi determinante para fortalecer a solicitação junto ao governo federal.
Caso o Estado seja incluído na estratégia, a vacinação deve começar pelas populações indígenas, consideradas mais vulneráveis neste momento. Para isso, equipes do Ministério da Saúde devem vir ao Estado para capacitar profissionais locais, com foco na aplicação do imunizante e no monitoramento dos resultados.
Além disso, o Instituto Butantan também prevê treinamentos específicos para equipes que atuam nas salas de vacinação, com agenda prevista para os próximos dias. A expectativa é de que os dados coletados nessa fase piloto ajudem a embasar uma futura ampliação da vacina no Sistema Único de Saúde (SUS).


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