A fábrica da Metalfrio, instalada em Três Lagoas, é hoje um dos exemplos mais claros da transformação econômica vivida por Mato Grosso do Sul nas últimas décadas. A unidade, que produz refrigeradores e freezers comerciais distribuídos para todo o Brasil e países do Mercosul, representa o avanço da indústria de transformação no Estado — setor que hoje lidera o crescimento nacional.
A empresa global de origem brasileira iniciou suas operações em Três Lagoas em 2005. Desde então, a planta industrial passou por sucessivas ampliações até absorver integralmente as atividades que antes funcionavam em São Paulo. Atualmente, a operação tem capacidade para produzir até 500 mil equipamentos por ano e gera mais de mil empregos diretos, consolidando-se como um importante vetor de diversificação econômica no município e na região leste do Estado.
Segundo o executivo da empresa, Luiz Eduardo M. Caio, a escolha por Mato Grosso do Sul foi resultado de uma combinação estratégica de fatores.
“Em 2005 iniciamos a primeira fase de produção em Três Lagoas e, ao longo dos anos, concluímos outras duas etapas até a transferência total das operações de São Paulo. Essa decisão foi baseada na combinação entre infraestrutura, disponibilidade de mão de obra e incentivos fiscais, além do apoio dos governos local e estadual”, afirma.
O caso da Metalfrio ilustra uma mudança estrutural mais ampla na economia sul-mato-grossense. Historicamente baseada na produção primária, especialmente na agropecuária, a economia estadual passou a incorporar cada vez mais atividades industriais e de agregação de valor à produção.
Dados do IBGE mostram a dimensão dessa transformação. Em dez anos, o Valor da Transformação Industrial (VTI) de Mato Grosso do Sul cresceu nominalmente 179%, saltando de R$ 12,2 bilhões para R$ 34 bilhões — a maior variação registrada entre todos os estados brasileiros no período.
O indicador mede a riqueza gerada pelo processo industrial, calculada a partir da diferença entre o valor da produção e o custo dos insumos utilizados.
Para o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Jaime Verruck, o desempenho é resultado de uma estratégia estruturada de desenvolvimento adotada pelo Estado. Segundo ele, o governo tem priorizado políticas voltadas à agregação de valor à produção primária, ao fortalecimento da agroindústria e à incorporação da agenda verde como eixo central do crescimento econômico.
“O objetivo é combinar desenvolvimento econômico, sustentabilidade ambiental, inovação tecnológica e atração de novos investimentos”, avalia.

Nesse contexto, Mato Grosso do Sul também se consolida como um dos protagonistas nacionais na transição energética e na produção de bioenergia.
Atualmente, o Estado ocupa a quarta posição no ranking nacional de produção de etanol, é o quinto maior produtor de açúcar e figura como o segundo maior produtor de etanol de milho do país.
“O desempenho coloca o setor como um dos pilares estratégicos do desenvolvimento econômico sul-mato-grossense”, afirma Verruck.
Hoje, o Estado conta com 22 usinas em operação — três delas dedicadas à produção de etanol de milho — além de outras três plantas industriais em fase de implantação. A articulação entre o governo estadual, por meio da Semadesc, e entidades do setor produtivo, como a Biosul, busca garantir um ambiente de negócios competitivo e sustentável.
Outro compromisso assumido pelo Estado é tornar Mato Grosso do Sul território carbono neutro até 2030. No setor sucroenergético, já está em funcionamento uma plataforma própria de monitoramento de emissões e remoções de gases de efeito estufa, chamada Carbon Control.
Para o presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), Sérgio Longen, os resultados refletem a construção de um ambiente favorável aos investimentos ao longo de muitos anos.
“Estamos construindo há muito tempo esse ambiente de negócios em Mato Grosso do Sul. A atuação conjunta da Federação das Indústrias, da Famasul, da Fecomércio e de todo o Sistema S tem sido fundamental para atrair investimentos e dar suporte ao setor produtivo”, afirma.
Segundo ele, a implantação de novos empreendimentos no Estado passa por um processo detalhado de planejamento, que envolve análise de logística, disponibilidade de mão de obra, infraestrutura energética e competitividade fiscal.
Atualmente, Mato Grosso do Sul reúne cerca de R$ 90 bilhões em investimentos privados em diferentes setores econômicos.
Na avaliação de Longen, esse conjunto de fatores explica o ritmo acelerado de crescimento registrado nos últimos anos. “Mato Grosso do Sul cresce a dois dígitos, muitas vezes superando até o ritmo de economias internacionais”, destaca.
A mudança estrutural também pode ser percebida na diversificação produtiva da economia estadual. Se antes a base econômica estava concentrada principalmente na produção de grãos, hoje o Estado reúne uma ampla cadeia industrial ligada ao agronegócio.
Entre os segmentos em expansão estão a produção de etanol de milho, açúcar, energia de biomassa, biocombustíveis e proteínas animais, incluindo carne bovina, suína, de aves e de peixe.
Outro destaque recente é a produção de amendoim, que ganhou espaço na rotação de culturas da cana-de-açúcar e passou a colocar Mato Grosso do Sul entre os principais produtores do país.
“O que chamamos hoje de indústria do agro é justamente transformar aquilo que o Estado produz. O etanol de milho, por exemplo, gera o DDG, um subproduto de alto valor agregado que já é exportado. Esse processo de transformação tem sido prioridade para o setor privado, para o governo estadual e também para os municípios”, explica Longen.
Além da indústria metalmecânica e da cadeia sucroenergética, outras experiências também demonstram o impacto da industrialização na economia regional.

Um exemplo é a Usina Sonora, localizada no município de Sonora, no norte do Estado. Fundada em 1976, a empresa realizou sua primeira safra de cana-de-açúcar em 1979 e se tornou um dos principais motores econômicos da região.
Hoje, a unidade produz açúcar cristal comercializado em diversos estados brasileiros e possui capacidade instalada para alcançar 150 mil toneladas anuais.
A produção de etanol chega a cerca de 90 mil metros cúbicos por ano, abastecendo a frota interna da companhia e sendo comercializada em estados como Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e São Paulo.
Segundo o diretor-presidente da empresa, Luca Giobbi, a trajetória da usina está diretamente ligada ao desenvolvimento regional.
“A Usina Sonora nasceu com o propósito de gerar oportunidades, renda e desenvolvimento para Sonora e toda a região. Ao longo dos anos ampliamos nossa estrutura produtiva e fortalecemos a economia local”, afirma.
Além da produção industrial, a empresa investe na geração de energia renovável a partir da biomassa da cana-de-açúcar, além de contar com projetos hidrelétricos e de energia solar.
A unidade emprega atualmente cerca de 1.800 trabalhadores diretos, sendo um dos maiores empregadores da região e contribuindo para dinamizar o comércio local e apoiar iniciativas sociais, educacionais e comunitárias.
Às vésperas de completar 50 anos de história, em 2026, a empresa projeta manter o foco em crescimento sustentável e inovação tecnológica.
“Celebrar cinco décadas é reconhecer uma trajetória construída com responsabilidade, inovação e respeito às pessoas. Nosso compromisso é continuar investindo e contribuindo para o desenvolvimento regional”, conclui Giobbi.
A soma dessas iniciativas ajuda a explicar por que Mato Grosso do Sul vem se consolidando como um dos novos polos industriais do Brasil, com uma economia cada vez mais diversificada, competitiva e conectada às agendas de inovação e sustentabilidade.






