A concessionária responsável pelo fornecimento de energia elétrica em Três Lagoas e outros municípios de Mato Grosso do Sul e São Paulo terá a concessão renovada por mais 30 anos. A formalização do novo contrato ocorreu em Brasília e garante um novo ciclo de investimentos bilionários na rede elétrica entre 2026 e 2030.
Segundo informações divulgadas pela empresa, o plano prevê aporte superior a R$ 8,2 bilhões destinados à expansão, modernização e digitalização da infraestrutura elétrica nos 228 municípios atendidos pela distribuidora. O valor representa aumento de 66% em relação ao ciclo anterior de investimentos.
Conforme a empresa, os recursos devem ser aplicados em melhorias da rede de distribuição, ampliação da capacidade energética, modernização tecnológica, reforço da resiliência do sistema diante de eventos climáticos extremos e ações de combate às perdas de energia. A companhia atende mais de 3 milhões de consumidores, o equivalente a cerca de 6 milhões de habitantes nos dois estados.
Entre as prioridades do novo contrato estão obras voltadas à melhoria da qualidade do fornecimento de energia, expansão da infraestrutura elétrica e fortalecimento operacional da concessionária.
A renovação da concessão também prevê metas mais rígidas estabelecidas pela ANEEL, principalmente relacionadas à continuidade do fornecimento e à resposta a eventos climáticos severos. De acordo com a empresa, os investimentos incluem modernização de redes, novos sistemas tecnológicos, equipamentos operacionais, frota e infraestrutura de suporte.
O novo ciclo de investimentos ocorre em meio ao avanço econômico registrado em regiões como a Costa Leste de Mato Grosso do Sul, impulsionada principalmente pelo setor de celulose, agronegócio e expansão industrial.
Desde 2010, a concessionária afirma ter construído 37 novas subestações elétricas e mais de 16 mil quilômetros de rede de distribuição, acompanhando o crescimento do consumo energético e da base de clientes. Nos últimos cinco anos, os investimentos realizados pela empresa ultrapassaram R$ 3,2 bilhões, segundo dados divulgados pela própria concessionária.
A renovação do contrato foi autorizada pelo Ministério de Minas e Energia após análise técnica da ANEEL, que avaliou indicadores operacionais e a capacidade financeira da distribuidora para sustentar os investimentos previstos ao longo das próximas décadas.

Muitas reclamações dos consumidores: uma a cada 11 minutos
O anúncio de renovação da concessão de fornecimento de energia da Neoenergia/Elektro nos próximos 32 anos se tornou polêmico nas redes sociais e canais oficiais de atendimento ao consumidor.
Problemas relacionados ao fornecimento de energia elétrica levaram milhares de clientes a registrar reclamações formais contra distribuidoras do grupo Neoenergia nos últimos 12 meses.
Somados os registros feitos em plataformas oficiais de atendimento ao consumidor, foram contabilizadas 48.042 manifestações no período — média de uma reclamação a cada 11 minutos.
Os dados envolvem registros feitos na ANEEL, no portal Reclame Aqui e na plataforma consumidor.gov.br.
Segundo os números, foram protocoladas 28.471 reclamações junto à agência reguladora do setor elétrico, além de 14.275 manifestações no Reclame Aqui e outras 5.296 no sistema federal de defesa do consumidor.
As reclamações abrangem distribuidoras que atuam em 18 estados brasileiros e no Distrito Federal, incluindo a concessionária responsável pelo fornecimento de energia em cidades de Mato Grosso do Sul, como Três Lagoas.

Falta de energia lidera reclamações
Entre os principais problemas apontados pelos consumidores estão interrupções no fornecimento de energia, oscilações de tensão, demora em atendimentos, falhas na rede elétrica e questionamentos sobre cobranças.
Na ANEEL, a distribuidora que atende a Bahia concentrou o maior número de registros, com mais de 13 mil reclamações.
Já na plataforma consumidor.gov.br, grande parte das manifestações esteve relacionada a cobranças consideradas indevidas e divergências em medições de consumo.
Em nota, a Neoenergia destacou que atende cerca de 17 milhões de clientes no país, o equivalente a aproximadamente 40 milhões de pessoas.
A companhia também argumentou que o total de reclamações representa percentual reduzido em relação à base de consumidores e ressaltou que um mesmo cliente pode registrar mais de uma manifestação nos diferentes canais oficiais.
Segundo a empresa, parte das reclamações também acaba considerada improcedente após análise técnica dos órgãos reguladores.
O grupo afirmou ainda que mantém investimentos contínuos em expansão, modernização e melhoria da infraestrutura elétrica. De acordo com a companhia, os aportes em distribuição e transmissão de energia chegaram a R$ 9,8 bilhões em 2024.


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