Uma ofensiva do Ministério Público de Mato Grosso do Sul colocou novamente contratos de manutenção viária de Campo Grande no centro de uma investigação sobre corrupção e desvio de recursos públicos. Deflagrada nesta terça-feira (12), a Operação “Buraco Sem Fim” teve como alvo servidores públicos, empresários e ex-integrantes da administração municipal suspeitos de participação em um esquema envolvendo contratos de tapa-buraco e manutenção de vias urbanas.
A ação foi conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção em conjunto com o Gaeco.
Ao todo, a Justiça autorizou sete prisões preventivas e dez mandados de busca e apreensão.

Dinheiro em espécie chamou atenção dos investigadores
Durante o cumprimento das ordens judiciais, investigadores localizaram grandes quantias em dinheiro vivo em imóveis ligados aos investigados. Segundo o Ministério Público, os valores apreendidos ultrapassam R$ 400 mil.
Em um dos endereços, foram encontrados cerca de R$ 186 mil em espécie. Em outro imóvel, os agentes localizaram aproximadamente R$ 233 mil.
A investigação aponta suspeitas de manipulação em medições de serviços executados nas ruas da Capital, com pagamentos públicos supostamente realizados por obras não executadas integralmente.
De acordo com o MPMS, o esquema teria provocado prejuízos milionários aos cofres públicos, além de comprometer a qualidade da manutenção viária em Campo Grande.
As apurações indicam que a empresa investigada firmou contratos e aditivos que somam mais de R$ 113 milhões entre 2018 e 2025.
Entre os alvos está Rudi Fiorese, ex-secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos de Campo Grande. Equipes do Ministério Público estiveram na residência do gestor durante a operação, e ele aparece entre os investigados detidos.
Também são citados nas investigações os superintendentes da Sisep Edvaldo Aquino e Mehdi Talayeh.
A própria Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos de Campo Grande foi alvo de diligências nesta terça-feira.

Investigação amplia desdobramentos de operação anterior
Parte dos investigados já havia sido alvo de outra operação do Ministério Público em 2023, batizada de “Cascalhos de Areia”, que apurava supostas irregularidades em contratos ligados à manutenção de vias não pavimentadas e locação de maquinário.
Na ocasião, o foco principal recaiu sobre contratos milionários relacionados a obras e serviços urbanos.
Após a repercussão da operação, a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso do Sul informou que acompanha as investigações e confirmou a exoneração de Rudi Fiorese da presidência da Agesul.
Segundo a pasta, os fatos investigados estão relacionados ao período em que o gestor atuava na Prefeitura de Campo Grande, e não à estrutura atual do governo estadual.
O caso segue sob investigação do Ministério Público, que apura possíveis crimes de corrupção, fraude em contratos públicos, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

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